sexta-feira, 15 de julho de 2011

Qual a melhor religião?

Breve diálogo entre o teólogo Leonardo Boff e Dalai Lama. Leonard Boff explica:

No intervalo de uma mesa-redonda sobre religião e paz entre povos, no qual ambos
(eu e o Dalai Lama) participávamos. Eu, maliciosamente, mas também com interesse teológico, lhe perguntei em meu inglês capenga:
- Santidade, qual é a melhor religião? (Your holiness, what’s the best religion?)

Esperava que ele dissesse:
- "É o budismo tibetano" ou "São as religiões orientais, muito mais antigas do que o cristianismo.”

O Dalai Lama fez uma pequena pausa, deu um sorriso, me olhou bem nos olhos, o que me desconcertou um pouco, porque eu sabia da malícia contida na pergunta e afirmou:
- A melhor religião é a que mais te aproxima de Deus, do Infinito. É aquela que te faz melhor.

Para sair da perplexidade diante de tão sábia resposta, voltei a perguntar:
- O que me faz melhor?

Respondeu ele:
- Aquilo que te faz mais compassivo (e aí senti a ressonância tibetana, budista, taoísta de sua resposta), aquilo que te faz mais sensível, mais desapegado, mais amoroso, mais humanitário, mais responsável, mais ético. A religião que conseguir isso de ti é a melhor religião.

Calei, maravilhado, e até os dias de hoje estou ruminando a sua resposta sábia e irrefutável. Não me interessa amigo, a tua religião ou mesmo ou mesmo se tem ou não religião.

O que realmente importa é a tua conduta perante o teu semelhante, tua família, teu trabalho, tua comunidade, perante o mundo...

Lembremos: “O Universo é o eco de nossas ações e nossos pensamentos”.

A Lei da Ação e Reação não é exclusiva da Física. Ela está também nas relações humanas. Se eu ajo com o bem, receberei o bem. Se ajo com o mal, receberei o mal.

Aquilo que nossos avós nos disseram é a mais pura verdade: “terás sempre em dobro aquilo que desejares aos outros”.

Para muitos, ser feliz não é questão de destino. É de escolha. Pense nisso.

Observe a cachoeira...

Observe a cachoeira. Perderia sua canção se fossem tiradas as pedras do seu caminho.

Nada é mais suave e nada é mais forte do que a água, caminha firme e lentamente, sabedora de que tem o mesmo destino do homem: seguir em frente. Assim também é a nossa vida. Os obstáculos existem para nos fazer caminhar cada vez mais firmes, mais determinados, totalmente entregues, confiantes na existência.

Fé é rendição. Portanto, quando o sofrimento bater à sua porta, não lamente nem se inquiete, seja apenas testemunha da dor. Sinta-se um privilegiado porque é das batalhas que surge a alma.

Diante de qualquer problema que lhe pareça sem solução, tome uma atitude inteligente, a seu favor: Respire... Quando menos uma pessoa merecer o seu amor, é quando ela mais necessita dele. Perdoe, perdoe quantas vezes forem necessárias, liberte seu coração do ressentimento, abra-se para novas emoções.

Seja flexível como as flores, como as borboletas... experimente todos os perfumes.

Estenda a mão, ofereça a sua compreensão, o seu amor. Viemos a este planeta para aprender a amar. Apenas isso. Então ame! Pouco ou muito, não importa.

Importante é amar sempre.

Só o amor realiza a mágica de se multiplicar quando é dividido.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Onde está Deus?

Em meio ao caos do mundo e guerras sangrentas, perguntamos: "Onde está Deus?"

Quando violentos terremotos destroem as vidas de milhares de pessoas, perguntamos: "Onde está Deus?"

Quando um ente querido é morto por um motorista bêbado perguntamos: “Onde está Deus?"

Quando lemos histórias nos jornais de crianças abusadas ou mulheres violentadas, perguntamos: “Onde está Deus?”.

Em nossa pessoal noite escura da alma, quando tudo parece ter falhado e nossa vida parece nada mais do que um vazio, clamamos a Deus, mas não ouvi nenhuma voz – nem a nossa própria, nem a de Deus. Onde está Deus?

Buscamos esse elusivo Ser em igrejas e livros, tentamos achá-lo através de gurus e santos. Muitas vezes, é nosso primeiro pensamento do novo dia e nosso último pensamento antes de desvanecer em nossos sonhos noturnos. Apelamos para o Espírito em nossas orações, em nossas meditações e através de nossas lágrimas.

Temos muitos nomes para este Ser – Espírito, a Fonte Eterna, YHWH, Deus, Criador, Luz, Ishvara. Alguns negam a existência de Deus, mas a maioria reconhece a presença de um ser divino, Ser infinito, mesmo que eles nunca tiveram um encontro consciente com Aquilo Que Não Pode Ser Falado.

Alguns argumentam que Deus é a natureza. Outros dizem que Deus está dentro de nós.

Mas quase todos passam os dias de suas vidas sem um relacionamento íntimo com esse ser. A maioria tem um profundo desejo de coração a conhecer a Deus, mas se resignam a aguardar até que atinjam um igualmente desconhecido reino celestial.

Deus está aqui, eu sinto, aqui mesmo nesta realidade física. Dentro de mim, ao meu redor, em outras pessoas, na natureza e nas dimensões que nos cercam. O Espírito está em todo ar que eu respiro, a cada passo que eu ando, a cada minuto que passa pelo meu dia. Mas, onde está Deus? Por que Deus não apareceu para mim?

Por que, eu me pergunto, eu não posso ir além do meu estado mental de estar a compreender, conhecer, ver e ouvir a partir deste Ser que eu quero tanto lembrar. Se eu amo tanto a Deus porque, oh porque, está sendo tão elusivo? Eu sei por quê.

Estou surpreso que eu ainda tenha que fazer a pergunta, mas, infelizmente, eu finjo que não sei. Saí hoje cedo em uma bela tarde de inverno do Colorado para curtir um cigarro tranquilamente. Eu nem estava pensando na pergunta "Onde está Deus". Eu não sei o que eu estava pensando, mas não era nada de importante.

Eu suponho que fiz a pergunta "Onde está Deus" tantas vezes que ela finalmente teve que ser atendida. E assim foi. Mais uma vez. Talvez desta vez eu não esqueça, porque eu estou escrevendo-a. Deus está sempre aqui. Mas a luz do Espírito é de tal simplicidade, pureza e intensidade que ela se desintegraria se eu viesse a contemplá-la. É de tal amor e compaixão que eu iria quebrar em sua presença. É de tal magnitude que iria eliminar a minha escuridão – uma parte de mim que tem sido desenvolvida por eons de tempo – e temo que nada fosse deixado de mim.

A essência de Deus suavemente me sussurrou:
"Ame-se, como eu amo você, então você pode me ver.
Ame-se a si mesmo e você vai se lembrar de mim.”

A luz do Espírito é magnífica. Fechamos a porta com medo de que ele irá nos aniquilar se atingirmos mesmo o vislumbre mais pequeno. Nós trancamos a porta, mesmo quando gritamos para conhecer a presença do Espírito. Voltamos para o nosso cotidiano nos perguntando, "Onde está Deus?"

Em nossa rotina mais uma vez nos esquecermos de amar os nossos eus. Nós vamos voltar a estudar Deus, perguntando aos outros se eles sabem onde está Deus, e buscando a Deus em coisas externas. Deitamos de noite esperando que, no dia seguinte, vamos finalmente conhecer o amor de Deus.

Finalmente, quando nossa ânsia por Deus é superada pelo nosso amor pelo eu, por si mesmo, conhecemos o incognoscível.

Por Geoffrey Hoppe

Respiro e sei que estou vivo...

Respiro e sei que tudo está cooperando comigo.

Respiro e sei que sou o mundo.

Respiro e sei que a flor está respirando em mim.

Respiro por mim mesmo e pelo mundo, inspiro compaixão e expiro alegria.

Respiro e sou um com o ar que respira.

Respiro e sou um com o rio que corre.

Respiro e sou um com a terra macia e mansa.

Respiro e sou um com o fogo que cintila.

Respiro e vejo a impermanência da vida.

Respiro para que a alegria seja em mim estável e calma.

Respiro para que a tristeza vá embora.

Respiro para renovar cada célula do meu sangue.

Respiro para renovar as profundezas de minha consciência.

Respiro e habito no aqui e agora.

Respiro e tudo que toco se torna novo e real.

E quando me levantar, que levante alegremente como um pássaro.

E que quando eu cair, que caia graciosamente como uma folha.

Quando ficar em pé que fique como uma árvore, alta e forte.

E quando deitar, que seja como um lago, cheio de paz, calmo e tranquilo.

Quando trabalhar, que eu trabalhe como uma abelha. Fervorosamente.

E quando brincar, que brinque como a brisa, refrescante, suave e pura...

Pe. Luiz Eustáquio dos Santos Nogueira

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Vídeo: Bem maior - Roupa Nova

Janelas na alma

O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que filtram os acontecimentos, dando-lhes cor e conotação próprias.

De acordo com a estrutura e o momento psicológico, os fatos passam a ter significação que nem sempre corresponde à realidade.

Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar, passa a ver o dia com menor intensidade de luz.

Na área do relacionamento humano as ocorrências também assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas.

É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos, de modo a equilibrar os fatos em relação a eles.

Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma, a fim de observar bem os sucessos da caminhada humana.

De acordo com a dimensão e o tipo de abertura, será possível observar a vida e vive-la de forma agradável, mesmo nos momentos mais difíceis.

Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas, facultando o uso de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.

Coloca, nas tuas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura, a fim de acompanhares o mundo e o seu cortejo de ocorrências.

O amor te facultará ampliar o círculo de afetividade, abençoando os teus amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranqüilidade.

A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição que se te acerquem.

O perdão constituirá a tua força revigoradora colocada a benefício do delinqüente, do mau, do alucinado, que te busquem.

A ternura espraiará o perfume reconfortante da tua afabilidade, levantando os caídos e segurando os trôpegos, de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de ti.

As janelas da alma são espaços felizes para que se espalhe a luz, e se realize a comunhão com o bem.

Joanna de Ângelis

terça-feira, 12 de julho de 2011

Pássaro de paz... pássaro de Amor

Traz a docura àqueles que tem raiva no coração.
Pomba branca, vem pousar finalmente neste mundo...

Pássaro de Paz... pássaro de Amor
Propaga a paz pelo mundo inteiro
Para que ninguém mais pegue em armas...

Pássaro de Paz... pássaro de Amor
Vem salvar os homens desta Terra
Para não mais haver guerra
Nem fome... nem miséria...

Pássaro de Paz... pássaro de Amor
Vem consolar este infeliz
Vem alimentar este mendigo
Vem aliviar este ferido
Libertar os oprimidos
Ajuda este idoso que mal pode andar...

Pássaro das mil virtudes
Protege com as tuas asas esta criança...

Pássaro da Paz... pássaro de Amor
Não venhas pousar apenas no meu jardim
Mas percorre o mundo
Quero ver pombas brancas voando pelo céu
E pousarem em cada canto do mundo...

Nunca mais ver a morte atingir os inocentes
Quantos incentes...
Que só queriam viver em paz
Por que condená-las?
Há tanta lágrima
Há tanto medo e tanto sofrimento
Pássaro de Paz... pássaro de Amor
Voa!...

Pássaro de paz...
Envolve esta Terra
Com uma nuvem de felicidade
E oferece ao mundo esta pomba branca.

Huguette

Tudo pela paz
Não à todas as guerras
Todo ideal político, todas as opções religiosas
Que nada seja motivo para as justificar.

Quer ver essa mensagem em PPS: www.ppshuguette.com

A beleza invisível

É breve, é pequena, a distância que separa o avô do neto. Feito o arado que rasga
a terra, a passagem do tempo deixa sulcos na alma e no rosto.

“As viagens sucedem-se e acumulam-se como as gerações. Entre o neto que foste e o avô que serás, que pai terás sido?”

A única coisa que nós temos de fato é a vida. E com ela podemos fazer tudo, ou nada.
Pais, filhos e netos. No fim das contas, cada um tem que caminhar com seus próprios passos. Buscar uma experiência de significação, trilhar a senda do auto-aperfeiçoamento.

A vida é um instante, um sopro.

Quantas gerações já vieram e se foram, quantas ainda virão e igualmente passarão...




Menos de uma hora de vida.
O primeiro beijo. Há quem sustente que é o amor das mães que mantém o mundo em seu eixo. Memórias poéticas e afetivas. Os pequenos gestos e instantes que revestem de beleza e ternura o tempo.




Nos vagões da existência terrena, por um breve instante passeamos. O ato de observar é a única chave que abre a porta dos mistérios. A paisagem de fora, a vemos com os olhos de dentro. A paisagem é um estado de alma. Na realidade, o que vemos está em nós. Não vemos o que vemos, vemos o que somos...

“Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”

Ter olhos para a beleza do céu, para a poesia das nuvens. Cultivar a quietude do espírito como potência de transformação. Ter um olhar capaz de discernir a beleza invisível.

A filosofia oriental nos ensina que a mais bela imagem não tem forma. Resgatar a beleza, a poesia e a espiritualidade capazes de suavizar a nostalgia do Absoluto.
Cultivar a magia e o encantamento de se estar no mundo. Cativar a via do Silêncio
dentro de nós. Esta existência terrena é uma oportunidade de despertarmos da letargia e do sono. Esta existência terrena é a infância da Eternidade. Uma oportunidade para nos aproximarmos da Pura Luz que habita nossa finitude.

Felizes os que aproveitam com sabedoria a preciosa aventura que é o existir. Feliz o olhar capaz de discernir a beleza do invisível...

domingo, 10 de julho de 2011

Só isto eu sei...

E então dei-me conta que não levarei na algibeira todos os abraços que dei; levarei principalmente os que eu desejei ter dado.

Não levarei os afagos e os beijos que dei, mas sobretudo aqueles que eu não pude dar.

Não levarei o arquivo completo de muitos amores correspondidos, mas a ficha catalogada de cada grande amor que foi preciso negar, esquecer ou reprimir.

Não levarei históricos de fartura prodigalidade no terreno dos afetos, mas isto não torna menor a intensidade dos afetos cultivados.

Como poucas pessoas, levarei vasta experiência sobre saudade, esperança, solitude e porque não dizer sobre alegrias imensas por coisas pequeninas... pequeninos e inesquecíveis gestos de afeição.

Como poucas pessoas, saberei falar dos êxtases do meu coração, pelo simples pulsar de um outro coração que nunca tenha notado o meu.

Levarei na agibeira arco-íris intensos, suspensos a meio céu por não haver outra peça no lado oposto que permitisse o milagre das cores luminosas, decompostas em vários tons.

Talvez, se eu tivesse vivido todos estes amores, eu não soubesse falar sobre o amor e de minhas mãos jamais nascesse um poema, um louvor, uma canção, um gesto de gratidão.

Talvez a algibeira estivesse agora vazia porque não carregamos cantis para sedes amplamente saciadas!

Sinto-me tão plena e tão verdadeiramente rica!

Quem pode entender que eu me sinta assim?

Sei que em algum lugar do universo este manancial está jorrando livre, perene e sublimado!

Só isto eu sei!

Fátima Irene Pinto

Qual é o gesto que coloca o seu amor em movimento?

sábado, 9 de julho de 2011

Dar e receber

Quando eu participava de um grupo em uma casa espírita, todos os meses doávamos alimentos para compor cestas básicas que eram distribuídas às famílias carentes da comunidade. A cada mês, um grupo se encarregava de trazer arroz, outro, feijão, e assim por diante, a fim de que se compusesse a cesta.

Em determinado mês, coube ao meu grupo trazer café. Nada poderia ser mais simples: um quilo de café, não importava a marca. No entanto, a coordenadora nos alertou:
“Combinem entre vocês para trazerem apenas café em pó ou café solúvel. Porque as pessoas reclamam que receberam de um tipo e as outras de outro. Então, melhor que seja tudo igual.”

Por muito tempo, refleti sobre isso. As famílias eram carentes, recebiam cestas de alimentos que com certeza supriam suas necessidades imediatas. Então por que reclamavam? Afinal, não pagavam nada!

Um dia, me caiu nas mãos um livro, intitulado “Trapeiros de Emaús”. Contava a história de uma comunidade iniciada por um padre, para pessoas que eram o que chamaríamos de “Sem Teto”. Um trecho me chamou a atenção. O padre contava suas experiências em caridade. Quando menino, ele costumava acompanhar seu pai que todos os meses, doava um dia de seu tempo para atender pessoas carentes. O pai era médico, mas como já havia quem atendesse às pessoas nesse setor, ele se dedicava a cortar cabelos, profissão que também exercera.

O menino percebia que embora seu pai executasse seu serviço de graça e com amor, as pessoas reclamavam muito. Exigiam tal ou tal corte e às vezes quando iam embora, xingavam o pai porque não haviam gostado do corte. Mas o pai tinha uma paciência infinita, tentava atender ao que lhe pediam e jamais revidava as ofensas, chegando até mesmo a pedir desculpas, quando alguém não gostava do trabalho que ele realizara.

Então, um dia, o menino perguntou ao pai por que ele agia assim. E por que as pessoas reclamavam de algo que recebiam de graça, que não teriam de outra forma.
“Para essas pessoas, disse o pai, receber é muito difícil. Elas se sentem humilhadas porque recebem sem dar nada em troca. Por isso elas reclamam, é uma maneira de manterem a autoestima, de deixar claro que ainda conservam a própria dignidade”.

“É preciso saber dar, disse o pai. Dar de maneira que a pessoa que recebe não se sinta ferida em sua dignidade.”

Depois li um livro de Brian Weiss em que ele contava que uma moça estava muito zangada com Deus. A mãe dela morrera, depois de vários anos de vida vegetativa, sendo cuidada pelos outros como um bebê indefeso.

“Minha mãe sempre ajudou os outros, nunca quis receber nada, não merecia isso”, dizia ela. Então, ela recebeu uma mensagem dos Mestres: "A doença de sua mãe foi uma bênção, ela passou a vida ajudando os outros, mas não sabia receber. Durante o tempo da doença, ela aprendeu. Isso era necessário para a sua evolução."

Depois de ler esses dois livros, comecei a entender a atitude das pessoas que reclamavam do que recebiam nas cestas básicas. Comecei também a refletir sobre essa frágil e necessária ponte entre as pessoas que se chama “Dar e receber”.

Quando ajudamos alguém em dificuldade, quando damos alguma coisa a alguém que a necessita, seja material ou “imaterial”, estamos teoricamente em posição de superioridade. Somos nós os doadores, isso nos faz bem e às vezes tendemos a não dar importância à maneira como essa ajuda é dada. Por outro lado, quando somos nós a receber, ou nos sentimos diminuídos, ou recebemos como se aquilo nos fosse devido.

E quantas vezes fizemos dessa ponte uma via de mão única?

Quantas vezes fomos apenas aquele que dá, aparentemente com generosidade, mas guardando lá no fundo nosso sentimento de superioridade sobre o outro… Ou esperando sua eterna gratidão. E recusamos orgulhosamente receber, porque “não precisamos de nada, nem de ninguém”… Ou porque temos vergonha de mostrar nossa fragilidade, como se isso nos fizesse menores aos olhos dos outros.

E quantas vezes fomos apenas aquele que tudo recebe, sem nada dar em troca, egoisticamente convencidos de nosso direito a isso…

A Lei é “dar com liberalidade e receber com gratidão” ensina São Paulo. Que cada um de nós consiga entender as lições de “Dar e receber” e agradeça a Deus as oportunidades de aprendê-las.

Tania Vernet

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Poetizando...

PEDIDOS

E quando me pedes assim
Meu corpo inteiro estremece
E todo o universo parece
Que chega mais perto de mim!
E quando te chegas aos poucos
Meus sentidos ficam loucos
É tão impossível controlar
Este insensato jeito de amar!

Sérgio Holtz - Viamão/RS
**********

E quando me pedes assim
Sussurrando indecências
Arrepia-me inteira
Faz-me vulnerável
Sem controle
Fico assim...
Insensata e nua
Toda tua...

Candy Saad
**********

Feitos em tom de urgência
Bem baixinho, no meu ouvido...
Me levam à demência
Fico molinha, sem reação
E me entrego à paixão!

Ilze Soares
**********

E quando me pedes assim
Entrego-te toda a essência
E toda a minha inocência
Que há dentro de mim!
E quando te chegas aos poucos
Desfaço-me em murmúrios roucos
Não é fácil viver na loucura
Dessa distância nua e crua!

Anna Müller

Povo unido... jamais...

Outdoor em Jaraguá do Sul(SC) Também gostei da idéia dele. O outdoor colocado na Rua Olívio Domingos Brugnago, no bairro Vila Nova, em Jaraguá/SC, demonstra a indignação sobre a proposta de aumento do número de vereadores na Câmara.

Na Ilha da Figueira, bairro de Jaraguá do Sul, foi colocado o outdoor abaixo:

E finalmente...

Você concorda?

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Um pouquito de Mário Quintana

"Deficiente" é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.

"Louco" é quem não procura ser feliz com o que possui.

"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria, e só tem olhos para seus míseros problemas e pequenas dores.

"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão. Pois está sempre apressado para o trabalho e quer garantir seus tostões no fim do mês.

"Mudo" é aquele que não consegue falar o que sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.

"Paralítico" é quem não consegue andar na direção daqueles que precisam de sua ajuda.

"Diabético" é quem não consegue ser doce.

"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer. E, finalmente, a pior das deficiências é ser miserável, pois:

"Miseráveis" são todos que não conseguem falar com Deus.

"A amizade é um amor que nunca morre."

Todas estas frases são de Mário Quintana.

Entre a dor e o nada...

Entre a dor e o nada, o que você escolhe?

Depois do grande número de mensagens que recebi de leitores (tanto homens quanto mulheres) alegando que não valia a pena se entregarem novamente, acreditarem novamente no amor, terminei me inspirando para este "texto-resposta".

Não quero defender as relações falidas e que só fazem mal, nem estou sugerindo que as pessoas insistam em sentimentos que não são correspondidos, em relacionamentos que não são recíprocos, mas quero reafirmar a minha crença sobre o quanto considero válida a coragem de recomeçar, ainda que seja a mesma relação; a coragem de continuar acreditando, sobretudo porque a dor faz parte do amor, da vida, de qualquer processo de crescimento e evolução.

Pelas queixas que tenho ouvido, pelas atitudes que tenho visto, pela quantidade de pessoas depressivas que perambulam ocas pelo mundo, parece que temos escolhido muito mais vezes o nada do que a dor.

Quando você se perguntar do que adianta amar, tentar, entregar-se, dar o melhor de mim, se depois vem a dor da separação, do abandono, da ingratidão?

Pense nisso: então você prefere a segurança fria e vazia das relações rasas? Então você prefere a vida sem intensidade, os passos sem a busca, os dias sem um desejo de amor? Você prefere o nada, simplesmente para não doer?

Não quero dizer que a dor seja fácil, mas pelo amor de Deus, que me venha a dor impagável do aprendizado que é viver. Que me venha a dor inevitável à qual as tentativas nos remetem. Que me venha logo, sempre e intensa, a dor do amor...

Prefiro o escuro da noite a nunca ter me extasiado com o brilho da Lua...
Prefiro o frio da chuva a nunca ter sentido o cheiro de terra molhada...

Prefiro o recolhimento cinza e solitário do inverno a nunca ter me sentido inebriada pela magia acolhedora do outono, encantada pela alegria colorida da primavera e seduzida pelo calor provocante do verão. E nesta exata medida, prefiro a tristeza da partida a nunca ter me esparramado num abraço...

Prefiro o amargo sabor do não a nunca ter tido coragem de sair da dúvida...

Prefiro o eco ensurdecedor da saudade a nunca ter provado o impacto de um beijo forte e apaixonado... daqueles que recolocam todos os nossos hormônios no lugar!

Prefiro a angústia do erro a nunca ter arriscado...
Prefiro a decepção da ingratidão a nunca ter aberto meu coração...
Prefiro o medo de não ter meu amor correspondido a nunca ter amado ensandecidamente.

Prefiro a certeza desesperadora da morte a nunca ter tido a audácia de viver com toda a minha alma, com todo o meu coração, com tudo o que me for possível...
Enfim, prefiro a dor, mil vezes a dor, do que o nada...

Não há – de fato – algo mais terrível e verdadeiramente doloroso do que a negação de todas as possibilidades que antecedem o nada.

E já que a dor é o preço que se paga pela chance espetacular de existir, desejo que você ouse, que você pare de se defender o tempo todo e ame, dê o seu melhor, faça tudo o que estiver ao seu alcance, e quando achar que não dá mais, que não pode mais, respire fundo e comece tudo outra vez...

Porque você pode desistir de um caminho que não seja bom, mas nunca de caminhar...
Pode desistir de uma maneira equivocada de agir, mas nunca de ser você mesmo...
Pode desistir de um jeito falido de se relacionar, mas nunca de abrir seu coração...

Portanto, que venha o silêncio visceral que deixa cicatrizes em meu peito depois das desilusões e dos desencontros... Mas que eu nunca, jamais deixe de acreditar que daqui a pouco, depois de refeita e ainda mais predisposta a acertar, vou viver de novo, vou doer de novo e sobretudo, vou amar mais uma vez... e não somente uma pessoa, mas tudo o que for digno de ser amado!

Rosana Braga

De um jeito que é só seu

Há um jeito que é só seu de semear o bem.

Se tem sabedoria para falar, fale! Há pessoas precisando de quem lhes rasque novos horizontes.

Se tem o dom de ouvir, ouça! Há pessoas precisando falar para reorganizar os pensamentos e sentimentos.

Se tem o dom de enxergar os talentos alheios, enalteça-os! Há pessoas que desabrocham por conta de alguém que lhes reconheça um dom.

Se tem discernimento o bastante para fazer uma observação construtiva, faça-a! Há pessoas persistindo no mesmo erro por falta de alguém que as alerte com carinho e firmeza.

Se não tem vocação para engajar-se em movimentos filantrópicos de grande alcance, tenha em mente que o maior bem a ser semeado começa dentro do seu lar. Oferte a sua canção, a sua poesia, a sua hospitalidade, aquele prato que ninguém sabe fazer igual.

Oferte a sua diplomacia, a sua liderança ou a sua capacidade de atuar em segundo plano para o bem comum.

Oferte o seu talento para contar piadas e fazer rir.

A sua ternura natural no trato com crianças, idosos ou animais.

A sua capacidade de manter o sangue frio nas horas de crise, quando todos em sua volta desabam.

A sua santa paciência de permanecer num hospital ao lado de um enfermo terminal ou de varar a noite num velório, naquela hora crítica em que todos vão embora.

Há um jeito que é só seu e todo seu, mesmo que seja ofertar uma flor sem ser dia de nada. Mesmo que seja afagar as folhas de uma árvore, cantar junto com o seu canarinho, alisar o pelo de seu bichinho de estimação, aquele que você salvou da enxurrada. Mesmo que seja uma prece sincera feita no silêncio do seu quarto.

Na contabilidade divina pouco importa se o seu dom de semear o bem alcançar uma criatura ou milhões de criaturas.

Você está fazendo a sua parte, de um jeito que é só seu.

É só isto que realmente importa!

Fátima Irene Pinto

Amor - Luís de Camões

Amor é fogo que arde sem se ver
É ferida que dói e não se sente
É um contentamento descontente
É dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer
É um andar solitário entre a gente
É nunca contentar-se de contente
É um cuidar que se ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade
É servir a quem vence o vencedor
É ter com quem nos mata lealdade.

Mas como causar pode seu favor
Nos corações humanos amizade
Se tão contrário a si é o mesmo amor?

Luís de Camões

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Vídeo: O mundo anda tão complicado

O poderoso Silêncio

Aprenda com o silêncio a ouvir os sons interiores de sua alma, a calar-se nas discussões e assim evitar tragédias e desafetos.

Aprenda com o silêncio a aceitar alguns fatos que você provocou, a ser humilde, deixando o orgulho gritar lá fora, e a evitar reclamações vazias e sem sentido.

Aprenda com o silêncio a reparar nas coisas mais simples, valorizar o que é belo e ouvir o que faz algum sentido.

Aprenda com o silêncio que a solidão não é o pior castigo; existem companhias bem piores.

Aprenda com o silêncio que a vida é boa; nós só precisamos olhar para o lado certo, ouvir a música certa e ler o livro certo.

Aprenda com o silêncio que tudo tem um ciclo; como as marés que insistem em ir e voltar, os pássaros que migram e voltam ao mesmo lugar e como a Terra que faz a volta completa sobre seu próprio eixo, complete sua tarefa.

Aprenda com o silêncio a respeitar sua vida, valorizar seu dia, enxergar em você as qualidades que você possui, equilibrar os defeitos que você tem e saber que precisa corrigir e enxergar aqueles que você ainda não descobriu.

Aprenda com o silêncio a relaxar, mesmo no pior trânsito, na maior das cobranças, na briga mais acalorada, na discussão entre familiares.

Aprenda com o silêncio a respeitar o seu “eu”, a valorizar o ser humano que você é, a respeitar o Templo que é seu corpo e o Santuário que é sua vida.

Aprenda hoje com o silêncio que gritar não traz respeito; que ouvir ainda é melhor que muito falar. Quando as palavras cansam, o silêncio entra em ação. É doloroso. Desestabiliza. É amedrontador. Mas é também reconfortante. Só entendemos o silêncio, quando dele nos tornamos presas... quando nos faz reféns de sua presença e percebemos seu horror ou sua glória.

Podemos amordaçar a palavra, mas o silêncio, não há quem cale, nem quem resista à sua eloqüência muda. Na natureza tudo acontece com poder e silêncio, com um silêncio poderoso, embora, por vezes, o silêncio seja confundido com fraqueza, apatia ou indiferença. Pensa-se equivocadamente que a pessoa portadora desta virtude está impedida de reclamar seus direitos e deve tolerar com passividade todos os abusos.

Acredita-se que o silêncio não combina com o poder, pois este tem sido confundido com prepotência e violência.

O Sol nasce e se põe em profunda quietude, move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela sem a quebrar.

Acaricia as pétalas de uma rosa sem as ferir e beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar; aí uma vez mais vamos encontrar na natureza lições preciosas a nos dizer que o verdadeiro poder anda de mãos dadas com a quietude.

As estrelas e galáxias descrevem as suas órbitas com estupenda velocidade pelas vias inexploradas do cosmos, mas nunca deram um sinal de sua presença pelo mais leve ruído.

O oxigênio, poderoso mantenedor da vida, penetra em nossos pulmões, circula discreto pelo nosso corpo e nem lhe notamos a presença.

A luz, a vida e o espírito, os maiores poderes do Universo, atuam com a suavidade de uma aparente ausência.

Como nos domínios da natureza, o verdadeiro poder do homem não consiste em atos de violência física; quando um homem conquista o verdadeiro poder toda a antiga violência acaba em benevolência.

A violência é sinal de fraqueza; a benevolência é indício de poder. Mil palavras sejam ditas em lugar do silêncio em desavença! Sua ressonância machuca mais que tudo que se possa dizer. Vão-se as pessoas, faz-se a guerra, sara o peito, foge a vida, passa tudo!!

Mas o silêncio permanece e guarda as cores e os sabores daquilo que foi. O silêncio não poupa nem a morte, fria e muda. E nela se revela contundente e fala sem palavras, mais que a própria vida.

Os grandes mestres sabem ser severos, rigorosos, sem relegarem a mais perfeita quietude e benevolência. Deus, que é o supremo poder, age com tamanha quietude que a maioria dos homens nem percebe a Sua ação.

Esta poderosa força, na qual todos estamos mergulhados mantém o Universo em movimento, faz pulsar o coração dos pássaros, dos bandidos e dos homens de bem, na mais perfeita leveza. Até mesmo a morte chega de mansinho e como hábil cirurgiã rompe os laços que prendem a alma ao corpo, libertando-a do cativeiro físico.

O verdadeiro poder chega sem ruídos, sem alarde e sem violência.

Sempre que a palavra poder lhe vier à mente, lembre-se do Sol: nasce e se põe em profunda quietude; move gigantescos sistemas planetários, mas penetra suavemente pela vidraça de uma janela e você só sabe de sua presença pelo calorzinho que ele proporciona.

Acaricia as pétalas de uma flor sem a ferir; beija as faces de uma criança adormecida sem a acordar.

E em respeito a você eu me calo, me silencio, para que você possa ouvir o seu interior que quer lhe falar, lhe desejar uma vida vitoriosa.

Desejo uma vida de paz e silêncio para você!!!

Nunca é muito sonhar

Ele era um jovem que morava no Centro Oeste dos Estados Unidos. Por ser filho de um domador de cavalos, tinha uma vida quase nômade mas desejava estudar. Perseguia o ideal da cultura. Dormia nas estrebarias, trabalhava os animais fogosos e nos intervalos,
à noite, ele procurava a escola para iluminar a sua inteligência.

Em uma dessas escolas, certa vez, o professor pediu à classe que cada aluno relatasse
o seu sonho. O que desejariam para suas vidas. O jovem, tomado de entusiasmo, escreveu sete páginas. Desejava, no futuro, possuir uma área de 80 hectares e morar numa enorme casa de 400 metros quadrados. Desejava ter uma família muito bem constituída. Tão entusiasmado estava, que não somente descreveu, mas desenhou como ele sonhava a casa, as cocheiras, os currais, o pomar. Tudo nos mínimos detalhes.

Quando entregou o seu trabalho, ficou esperando, ansioso, as palavras de elogio do seu mestre. Contudo, três dias depois, o trabalho lhe foi devolvido com uma nota sofrível. Depois da aula, o professor o procurou e falou: - O seu é um sonho absurdo. Imagine, você é filho de um domador de cavalos. Você será um simples domador de cavalos. Escreva sobre um sonho que possa se tornar realidade e eu lhe darei uma nota melhor. O jovem foi para casa muito triste e contou ao pai o que havia acontecido. Depois de ouvi-lo, com calma, o pai lhe afirmou:- O sonho é seu, meu filho, faça o que quiser... essa decisão é sua: Persistir neste sonho ou procurar outro.

O jovem meditou e, no dia seguinte, entregou a mesma página ao professor. Disse-lhe que ficaria com a nota ruim mas não abandonaria o seu sonho. Esta história foi contada para várias crianças pelo dono de um rancho de 80 hectares, uma enorme casa de 400 metros quadrados e uma família muito bem constituída, próximo de um colégio famoso dos Estados Unidos o qual empresta para crianças pobres passarem os fins de
semana.

Depois de terminar a história, o dono do rancho revelou ser o jovem que teve a nota ruim, mas não desistiu do seu sonho.

E o mais incrível é que depois de 30 anos o professor daquelas crianças tem visitado com os seus alunos, aquela área especial. Um dia se apresentou, por ter identificado no proprietário o antigo aluno e confessou:
- Fico feliz que o seu sonho tenha escapado da minha inveja. Naquela época eu era um atormentado. Tinha inveja das pessoas sonhadoras. Destruí muitas vidas. Roubei o sonho de muitos jovens idealistas. Graças a Deus, não consegui destruir o seu sonho, que faz bem a tantas vidas. Como é bonito ter sonhos... sonhar é da natureza humana.

A complicada arte de ver

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. Eu fiquei em silêncio aguardando que ela me revelasse os sinais da sua loucura.

"Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria! Entretanto, faz uns dias, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. Mas, cortada a cebola, eu olhei para ela e tive um susto. Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica. De repente, a cebola, de objeto a ser comido, se transformou em obra de arte para ser vista! E o pior é que o mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro: ‘Rosa de água com escamas de cristal’. Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”.

Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”. Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado.
Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Adélia Prado disse: “Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”.

Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.
Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem.

“Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores. Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido.

Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”. Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”.

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”.

Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”.

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.

Os olhos não gozam… Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras.

Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: “A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”.

Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana. Como o Jesus menino do poema de Caeiro. Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”…

Rubem Alves – Educador e escritor.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Luzes e Você!

Quando tudo parece perdido, quando nos sentimos acuados e sem rumo, quando a vontade é de não levantar, quando o querer é só o de ficar onde está, quando a fé virou palavra vazia, e a oração, um recitar de versos, é hora de acender luzes em você, no quarto escuro da sua vida.

E depende de você, apenas de você, fazer um clique no interruptor da alma. É hora de descobrir valores que existem em você, que estão apagados diante de tantos problemas, que precisam vir a tona para você vencer; mas, antes de qualquer atitude, é preciso reconstruir sonhos, é preciso reacender desejos de conquistas, não das conquistas vazias dos bens materiais, que um dia se perdem em meio a traças, ferrugens e do próprio tempo, digo para você conquistar pessoas, cativar alguém com esse seu poder de entender, de saber onde não pisar, onde não errar, de pegar na mão e conduzir quando preciso, de ajudar com um pão, ainda que tenha que dividir o seu!

Quando tudo parece perdido, quando nos sentimos acuados e sem rumo, quando a vontade é de não levantar, quando o querer é só o de ficar onde está, quando a fé virou palavra vazia, e a oração, um recitar de versos, é hora de acender luzes em você, no quarto escuro da sua vida. E depende de você, apenas de você, fazer um clique no interruptor da alma.

É hora de descobrir valores que existem em você, que estão apagados diante de tantos problemas, que precisam vir a tona para você vencer; mas, antes de qualquer atitude, é preciso reconstruir sonhos, é preciso reacender desejos de conquistas, não das conquistas vazias dos bens materiais, que um dia se perdem em meio a traças, ferrugens e do próprio tempo, digo para você conquistar pessoas, cativar alguém com esse seu poder de entender, de saber onde não pisar, onde não errar, de pegar na mão e conduzir quando preciso, de ajudar com um pão, ainda que tenha que dividir o seu!

Luz e Paz!

Um simples obstáculo

Quantas vezes porteiras fecham nossa visão deixando escuras as passagens.

Quantas vezes as flores secaram sem que ao menos sentíssemos seu perfume.

Quantas vezes calamos com tamanha vontade de gritar e nos fazemos ouvidos.

Quantas vezes sorrimos com lágrimas nos olhos fingindo alegria inexistente.

Quantas vezes nós dizemos não quando temos tantos sim tão dentro do coração.

Quando vezes nossas fronteiras parecem sem fins e tentamos correr o olhar em busca de um colorido maior.

Nem sempre seguimos as trilhas que desejamos mas as que foram traçadas na garantia suposta do bem estar.

Nem sempre choramos nossas emoções nos momentos oportunos.

Os obstáculos existem, nossas paradas são muitas, talvez façam parte da vida, mas elas devem servir de reflexão, de aprendizado e de adequação para ordenarmos nossos sentimentos, para desenharmos nossos caminhos, para reabastecermos nossas energias e fazer com que o restante da caminhada seja com amor, com muita paz no coração.

Márcia Dip

Soneto Cigano

Acendo a fogueira da paixão, me visto de luz e danço...
Em companhia das estrelas a solidão não me alcança
O vento morno assanha meus cabelos e com ele canto
Sou mulher na pele de fada, sou anjo e sou criança.

Espalho fetiche em cada canto e surpreendo a cada gesto
Compreendo o mundo como a essência do que olhamos
Sei que da vida leva-se apenas o que vale e deixa-se o resto
É a liberdade que nos torna cativos de quem amamos...

Cultivo flores singelas no jardim secreto do coração
O meu deleite é a carícia fresca do sensível orvalho
E o prazer maior é alçar vôo nas asas de um falcão...

Meu semblante estampa o amor que a tudo inflama
Como um bem que se cultiva entre o real e o sonho
Sou ontem e agora, o amanhã e sempre.
Sou cigana!

Lady Foppa - GO

Criticar é fácil...

Criticar é fácil... Difícil é mudar nosso comportamento.

O tema era “comportamentos anti-sociais”. Pequenos danos que cometemos em relação
ao meio-ambiente e em relação às outras pessoas: jogar lixo fora do lixo; cuspir no chão; empurrar as pessoas sem pedir licença; furar fila; falar alto demais em ambientes públicos; emprestar e não devolver, etc. Durante a aula, os meus alunos de antropologia da universidade federal em que eu lecionava, criticavam as pessoas que não respeitam o meio-ambiente. Criticavam os sem sensibilidade em relação a seus semelhantes e diziam até mesmo ter vontade de ir embora do Brasil por tanta falta de respeito que viam todos os dias. Chegou a hora do intervalo.

Sem que meus alunos de antropologia soubessem, pedi a alunos da psicologia comportamental que observassem esses mesmos alunos na cantina da universidade.
Na volta à classe, pedi aos alunos de psicologia que relatassem o que haviam observado. Surpresos, meus alunos foram acusados, um a um, de terem jogado lixo fora do cesto
de lixo; cuspido no chão; colocado os pés na parede recém pintada da cantina; furado fila; perturbado o ambiente; etc.

Quando perguntei aos alunos “infratores” o que eles tinham a dizer, disseram:
“ - Não sabíamos que estávamos sendo observados...”.

Em seguida, a nossa discussão foi sobre as razões pelas quais criticamos tanto alguns comportamentos e atitudes e em seguida fazemos as mesmas coisas que acabamos de criticar. E não é assim em nossa vida e em nossa empresa?

Criticamos o mau atendimento que recebemos como clientes e oferecemos aos nossos clientes um atendimento sofrível. Criticamos a qualidade dos produtos que compramos
e não damos a devida atenção à qualidade do que produzimos. Reclamamos de nossos clientes que atrasam o pagamento e somos conhecidos por atrasar o que pagamos. Criticamos os fofoqueiros e falamos mal dos outros o tempo todo. Criticamos os que
não cumprem prazos e horários e falhamos com as nossas mais simples obrigações. Criticamos os que não cumprem prazos e horários e falhamos com as nossas mais simples obrigações. Criticamos os mentirosos e muitas vezes faltamos com a verdade.

Por que tanta incoerência?

Criticar é fácil. Acusar é fácil. Apontar os erros alheios é fácil.

O difícil é mudar o nosso comportamento. O difícil é ser coerente.

O difícil é fazer certa a nossa parte.

O difícil é começar a reformar o mundo e a humanidade a partir de nós mesmos.

Pense nisso!!!

Luiz Marins

O poder do pensamento

O maior instrumento de poder de que se tem notícia se encontra dentro de nós: o nosso pensamento. Como a eletricidade, o pensamento produz resultados de acordo com o uso que se faz dele. O fato é que estamos continuamente interagindo com o Cosmos, emitindo e recebendo vibrações, e assim, criando as experiências que vivemos.

Ao tomar consciência do poder do pensamento, conquista-se a chave para abrir as portas que levam à realização dos nossos desejos mais profundos. Depois de Einstein e da física quântica, não há como negar que, em essência SOMOS ENERGIA. É essa energia que se consubstancia na matéria transformando-se em corpo, mente, emoção.

Se temos bons pensamentos e nos mantemos em sintonia com as correntes vibratórias carregadas de energia positiva, nos tornamos capazes de realizar as ações que nos levarão à felicidade. Os pensamentos nos fazem sentir emoções variadas. Essas emoções, por sua vez, influenciam a nossa mente, o nosso organismo e a nossa saúde, ajudando a nos manter saudáveis e bem dispostos, quando são positivas, dependendo do cuidado que temos com aquilo que abrigamos em nossas mentes.

Assim, se queremos ter relacionamentos amorosos felizes, o primeiro cuidado a ser adotado é em relação aos nossos pensamentos. A lei da sintonia, como toda lei espiritual, pode não ser aceita ou compreendida, mas nem por isso deixa de produzir efeitos. Assim como a gravidade atrai os corpos para o centro da Terra, os nossos pensamentos têm o poder de atrair para nós aquelas realidades que desejamos viver. É necessário reconhecer as próprias qualidades e a potencialidade que trazemos dentro de nós e que nos torna capazes de crescer, aprender e avançar.

Só é possível dar aquilo que se possui. Apenas quem é capaz de se amar e de se valorizar pode amar e valorizar o outro. O caminho para uma boa auto-estima está em cultivar bons pensamentos e ter em mente que eles são a nossa companhia mais constante. Temos a opção de escolher, a cada momento, o que abrigamos em nossas mentes.

Com atenção, esforço e responsabilidade é possível detectar um pensamento menos bom na sua origem, e substituí-lo por outro que irá produzir resultados positivos. O Universo funciona como um espelho e tudo aquilo que transmitimos, retorna para nós amplificado.

Jael Klein Coaracy

Prazo Final

Nada pode retardar o que é inevitável
E onde limitar a razão?
Creio que não há peso nesta medida
Não existe horizonte distante a ponto
De servir como obstáculo ao eterno.

Mas para tudo tem que existir
Um prazo para se cumprir
Uma meta concreta na vida
Para não se perder no futuro.

Para não se prender ao presente
É necessário não sermos carrascos
E dar asas aos pássaros que prendemos
Em nossa prisão chamada coração.

Solte seus pássaros! Contemple seu canto!

E verá que fez a coisa certa.

Jorge Jacinto da Silva Junior

Cultive bem teu coração

A cada nova manhã, o girassol se volta para os raios do sol, que banham de luz
e calor o mundo que do sono desperta.

A primeira luz da manhã, que acaricia e convida para o novo dia que ela anuncia. O que significa participar
do mundo, tomar parte da Vida?

“Ó Filho do Espírito! Meu primeiro conselho é este: Possui um coração puro bondoso e radiante...” – nos ensinam as Escrituras. Buscar um coração “puro, bondoso e radiante”. Banhar de luz e sentido a nossa existência.



A bailarina que dança e a tecelã que fia. Há quem diga que a vida, para ser vida, necessita de beleza, encanto e poesia. Transformar este pequeno mundo onde vivemos num lugar um pouco mais belo e humano do que antes da nossa chegada. As mãos que fiam, os pés que dançam. O eterno compasso do tempo que nunca se cansa.


Os filhos e seus pais, valores a ser transmitidos, virtudes que deverão ser herdadas. O desafio de educar as futuras gerações de modo que cultivem “um coração puro, bondoso e radiante”. O resto é detalhe, o resto é história. Que saibam cultivar uma espiritualidade genuína, a conferir propósito e sentido para a jornada terrena que se inicia.


Deus, independentemente de nossa vertente religiosa, se revela na alegria, no amor
e na bondade que carregamos dentro de nós. Que enriqueçam as suas vidas e o mundo
por meio do cultivo dos mais altos frutos da árvore da existência.

O Amor, a Caridade, a Generosidade, a Bondade, a Paciência e o Perdão.

A Justiça, a Sabedoria e a Compaixão.

Que possam ser precursoras de uma nova forma de humanidade, – uma forma plena
de “ser humano”.

“Façam o que Eu fiz. Contemplem o que Eu contemplei...”

“Amai-vos uns aos outros, como Eu vos amei.”(Jesus Cristo)

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Virundum

No rio das margens plácidas
Hoje só corre o esgoto
Águas podres, águas ácidas
No rio que morreu de desgosto.

O povo heróico do grito
Grita forte e grita alto
É o grito de um povo aflito
Que tem medo de assalto.

Quis saber do braço forte
Que queria a igualdade
Hoje está fraco e sem norte
Subserviente à caridade.

Perguntei da mãe gentil
Mas seu destino foi nefasto
Deixou os filhos que pariu
Aos cuidados de um padrasto.

Procurei a verde floresta
Que todo dia é aviltada
Achei foi uma grande festa
A celebrar a pátria "amada".

Procurei no céu azul
Para achar algo imaculado
Achei o cruzeiro do sul
Sorte ninguém ter roubado.

O gigante dorme, não acorda
Não solta a corda do lastro
E enquanto dormia, os calhordas
Roubaram a vela e o mastro.

Pátria não é só a terra
É a terra e o povo também
Mas não basta o povo que berra
Muito reza e diz amém.

E ainda há salvadores da pátria
Que se revezam a cada dia
Prometendo tudo a todos
Realimentando a fantasia.

Fazem discursos pomposos
Em crescente demagogia
Mas, embaixo do pano, jocosos
Aproveitam a mordomia.

Dizem que não sou patriota
E querem mudar minha visão
Eu só digo: não sou idiota
Só quero o bem da nação.

Edimo Ginot

domingo, 3 de julho de 2011

Epicuro - 341 a 370 a.C

Epicuro nasceu em Atenas por volta de 341 a.C e foi criado em Samos. Cedo dedicou-se à filosofia. Sua mãe praticava magia. Em 306 a.C, inaugurou sua famosa escola nos jardins da sua casa tornando-se centro das reuniões de seus admiradores, discípulos e amigos.

Epicuro insistia que o conhecimento tinha que aliviar a angústia humana e descobrir porque desejamos, inclusive o que desejamos para o futuro.

Somente o saber pode libertar-nos dos esquemas enganosos que prometem a felicidade!

Em sua pergunta: Qual é a raiz do sofrimento humano? Ele não tinha dúvida: É o medo onipresente da morte! É o medo que o ego tem da da sua própria destruição.

É tarefa da ciência libertar o ser humano dos grandes temores que ele tem a respeito da vida e da morte. - diz Epicuro - A idéia inevitável e assustadora da morte consciente ou inconsciente interfere no viver e perturba a razão. A doença psicológica do medo está além de qualquer perigo concreto. É um fantasma mental!

Esse medo alimenta as atividades frenéticas e despropositadas que não têm qualquer
objetivo a não ser evitar a dor inseparável da condição humana.

O fanatismo religioso... o acúmulo de riquezas... o desejo cego de poder são formas simuladas de impor a imortalidade.

A consciência de que vamos morrer deve tornar a vida ainda mais preciosa em vez de criar medos e fugas!

Não é incomum ver pessoas passarem toda a vida esperando para começar a viver.

Esperar é um estado mental boicotando a vida. Que pena!

Nosso sucinto tempo de vida estimula a valorizar a preciosidade do aqui e agora! O simples prazer de existir aviva nossa gratidão por nós mesmos e por todos os outros seres vivos.

Pelo menor tempo que seja a nossa visita neste planeta sempre será um grande privilégio viver! Desperdiçar um segundo dessa vida é um insulto para trilhões de não nascidos e que jamais terão a chance de vivenciar essa experiência!

O fato dessa vida não acontecer de novo é o que a torna tão bela!

A busca do bem-estar tal como Epicuro defendia nunca é tardia.

E sempre é possível.

“A morte não é nada para nós, pois, quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos.” (Epicuro)

“Queres ser rico? Pois não te preocupes em aumentar os teus bens, mas sim em diminuir a tua cobiça.“ (Epicuro)

“Um homem é rico em proporção às coisas que pode dispensar.” (Epicuro)

“A justiça é a vingança do homem em sociedade, como a vingança é a justiça do homem em estado selvagem.” (Epicuro)

"Faça alguma coisa para gerar uma verdadeira transformação interior. Seja responsável pela sua vida!" (R. Mendes)

A essência dos amigos

Eu sempre costumo dizer que os amigos são flores.

Flores por que?

Porque as flores além de sua graciosidade deixa perfume nas mãos de quem as colhem.

Assim são os amigos, cada um traz consigo uma essência característica de sua personalidade. Cada amigo que colhemos no jardim da vida tem sua essência, alguns tem ela mais concentrada, outros equilibrada e outros ainda tão suave que só com a alma podemos sentí-la.

As melhores essências são sempre encontradas em pequenos frascos, assim são os amigos, às vezes pequenos frascos talvez até mesmo sem um rótulo, mas cuja fragrância invade até à alma.

Meu amigo(a) quero dizer-lhe que você é mais que um(a) amigo(a), tantas e tantas vezes sinto você ao meu lado, através desta tela.

Quero lhe agradecer esta demonstração de amizade, amizade que não é senão a melhor forma de vivermos o "amor“ que Jesus nos propõe.

Coisas bonitas da vida

Bonitas são as coisas vindas do interior de cada um, as palavras simples, sinceras e significativas.

Bonito é o sorriso que vem de dentro, o brilho dos olhos, o beijo soprado...

Bonito é o dia de sol depois da noite chuvosa ou as noites enluaradas de verão em que quase todos passeiam...

Bonito é procurar estrelas no céu e dar de presente ao amigo, amiga, namorado, neto...

Bonito é achar a poesia do vento, das flores, do mato, dos animais e das crianças.

Bonito é gostar da vida e se deixar viver de um sonho.

Bonito é ver a realidade da vida, sem nunca ser extremista, e acreditar na beleza de todas as coisas.

Bonito é a gente continuar sendo gente com G maiúsculo em qualquer situação,
principalmente nos momentos de dificuldade.

Bonito é você ser você... nesta bonita vida!!!

Vídeo: Roberto Carlos - De coração pra coração

sábado, 2 de julho de 2011

O Mestre dos Mestres

QUE O “MESTRE DOS MESTRES” LHE ENSINE...
QUE NAS FALHAS E LÁGRIMAS SE ESCULPE A SABEDORIA.

QUE O “MESTRE DA SENSIBILIDADE” LHE ENSINE...
A CONTEMPLAR AS COISAS SIMPLES
E A NAVEGAR NAS ÁGUAS DA EMOÇÃO.

QUE O “MESTRE DA VIDA” LHE ENSINE...
A NÃO TER MEDO DE VIVER
E A SUPERAR OS MOMENTOS MAIS DIFÍCEIS DA SUA HISTÓRIA.

QUE O “MESTRE DO AMOR” LHE ENSINE...
QUE A VIDA É O MAIOR ESPETÁCULO NO TEATRO DA EXISTÊNCIA.

QUE O “MESTRE INESQUECÍVEL” LHE ENSINE...
QUE OS FRACOS JULGAM E DESISTEM
ENQUANTO OS FORTES COMPREENDEM E TÊM ESPERANÇA
NÃO SOMOS PERFEITOS.

DECEPÇÕES, FRUSTRAÇÕES E PERDAS SEMPRE ACONTECERÃO...
MAS DEUS É O ARTESÃO DO ESPÍRITO E DA ALMA HUMANA.

NÃO TENHA MEDO!!!

DEPOIS DA MAIS LONGA NOITE SURGIRÁ O MAIS BELO AMANHECER...
ESPERE-O...

TODOS NÓS PASSAMOS POR DETERMINADAS ANGÚSTIAS E ANSIEDADES...
POIS ALGUMAS DAS MAZELAS DA VIDA SÃO IMPREVISÍVEIS E INEVITÁVEIS.

NA ESCOLA DA EXISTÊNCIA APRENDE-SE...
QUE SE ADQUIRE EXPERIÊNCIA NÃO SÓ COM OS ACERTOS E AS CONQUISTAS, MAS, COM AS DERROTAS, AS PERDAS E O CAOS EMOCIONAL E SOCIAL.

FOI NESSA ESCOLA TÃO SINUOSA QUE JESUS SE TORNOU O “MESTRE DOS MESTRES”.

Augusto Cury

Oi, moço!!!

Não me perguntem quantos anos tenho; e sim, quantas cartas mandei e recebi: Se mais jovem, se mais velho... o que importa, se ainda sou um fervilhar de sonhos, se não carrego o fardo da esperança morta!

Não me perguntem quantos anos tenho; e sim, quantos beijos troquei - Beijos de amor!

Se a juventude em mim ainda é festa, se aproveito tudo a cada instante e se eu bebo da taça gota a gota... Ora! Então pouco se me dá que gota resta!

Não me perguntem quantos anos tenho mas... queiram saber de mim se criei filhos,
queiram saber de mim que obras eu fiz, queiram saber de mim que amigos tenho e se alguém, pude eu, tornar feliz.

Não me perguntem quantos anos tenho mas... queiram saber de mim que livros li, queiram saber de mim por onde andei, queiram saber de mim quantas histórias, quantos versos ouvi, quantos cantei.

E assim, somente assim, todos vocês, por mais brancos que estejam meus cabelos, por mais rugas que vejam no meu rosto, terão vontade de chamar-me: “Oi Moço...!!!”

E ao me verem passar aqui... ali... não saberão ao certo a minha idade, mas saberão por certo, que eu vivi.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

O testamento do mendigo

Agora, no fim da vida
Como mendigo que sou
Me sinto preocupado
Intrigado e num momento
Me pergunto, embaraçado
Se faço ou não testamento.

Não tendo, como não tenho
E nunca tive ninguém
Pra quem é que eu vou deixar
Tudo o que eu tenho: os meus bens?

Pra quem é que vou deixar
Se fizer um testamento
Minhas calças remendadas
O meu céu, minhas estrelas
Que não me canso de vê-las
Quando ao relento deitado
Deixo o olhar perdido
Distante, no firmamento?

Se eu fizer um testamento
Pra quem é que vou deixar
Minha camisa rasgada
As águas dos rios, dos lagos
Águas correntes, paradas
Onde às vezes tomo banho?

Pra quem é que vou deixar
Se fizer um testamento
Vaga-lumes que em rebanhos
Cercam meu corpo de noite
Quando o verão é chegado?

Se eu fizer um testamento
Pra quem vou deixar
Mendigo assim como sou
Todo o ouro que me dá
O sol que vejo nascer
Quando acordo na alvorada?
O sol que seca meu corpo
Que o orvalho da madrugada
Com sua carícia molhou?

Pra quem é que vou deixar
Se fizer um testamento
Os meus bandos de pardais
Que ao entardecer, nas árvores
Brincando de esconde-esconde
Procuram se divertir?
Pra quem é que eu vou deixar
Estas folhas de jornais
Que uso para me cobrir?

Se eu fizer um testamento
Pra quem é que eu vou deixar
Meu chapéu todo amassado
Onde escuto o tilintar
Das moedas que me dão
Os que têm a alma boa
Os que têm bom coração?

E antes que a vida me largue
Pra quem é que eu vou deixar
O grande estoque que tenho
Das palavras "Deus lhe pague"?

Pra quem é que eu vou deixar
Se fizer um testamento
Todas as folhas de outono
Que trazidas pelo vento
Vêm meus pés atapetar?

Se eu fizer um testamento
Pra quem é que vou deixar
Minhas sandálias furadas
Que pisaram mil caminhos
Cheias dos pós das estradas
Estradas por onde andei
Em andanças vagabundas?
Pra quem é que eu vou deixar
Minhas saudades profundas
Dos sonhos que não sonhei?

Pra quem eu vou deixar
Se fizer um testamento
Os bancos dos meus jardins
Onde durmo e onde acordo
Entre rosas e jasmins?
Pra quem é que vou deixar
Todos os raios de luar
Que beijam minhas mãos
Quando num canto de rua
Eu as ergo em oração?

Se eu fizer um testamento
Pra quem é que vou deixar
Meu cajado, meu farnel
E a marca deste beijo
Que uma criança deixou
Em meu rosto perguntando
se eu era Papai Noel?

Pra quem é que eu vou deixar
Se fizer um testamento
Este pedaço de trapo
Que no lixo eu encontrei
Que transformei em lenço
Para enxugar minhas lágrimas
Quando fingi que chorei?

Se eu fizer um testamento...
Testamento não farei!
Sem nenhum papel passado
Que papéis eu não ligo
Agora estou resolvido:
O que tenho deixarei
Na situação em que estou
Pra qualquer outro mendigo
Rogando a Deus que o faça
Depois que eu tiver morrido
Ser tão feliz quanto eu sou.

Urbano Reis

Lição de felicidade

Foi num dia desses. Eram dois irmãos vindos da favela. Um deles deveria ter cinco anos
e o outro dez. Pés descalços, braços nus. Batiam de porta em porta, pedindo comida. Estavam famintos. Mas as portas não se abriam. A indiferença lhes atirava ao rosto expressões rudes, em que palavras como moleque, trabalho e filhos de ninguém se misturavam. Finalmente, em uma casa singela, uma senhora atenta lhes disse:
Vou ver se tenho alguma coisa para lhes dar. Coitadinhos.

E voltou com uma caixinha de leite. Que alegria!

Os garotos se sentaram na calçada. O menor disse para o irmão: Você é mais velho, tome primeiro. Estendeu a caixa e ficou olhando-o, com a boca semiaberta, mexendo a ponta da língua, parecendo sentir o gosto do líquido entre seus dentes brancos.

O menino de dez anos levou a caixa à boca, no gesto de beber. Mas, apertou fortemente
os lábios para que nenhuma gota do leite penetrasse. Depois, devolveu a caixinha ao irmãozinho: Agora é a sua vez. Só um pouco, recomendou.

O pequeno deu um grande gole e exclamou: Como está gostoso!

Agora eu, disse o mais velho. Tornou a levar a caixinha, já meio vazia, à boca e repetiu o gesto de beber, sem beber nada. Agora você. Agora eu. Agora você. Depois de quatro ou cinco goles, talvez seis, o menorzinho, de cabelo encaracolado, barrigudinho, esgotou o leite todo. Sozinho.

Foi nesse momento que o extraordinário aconteceu. O menino maior começou a cantar e
a jogar futebol com a caixinha. Estava radiante, todo felicidade. De estômago vazio.
De coração transbordando de alegria. Pulava com a naturalidade de quem está habituado a fazer coisas grandiosas sem dar importância. Observando aqueles dois irmãos e o Agora você, Agora eu, nossos olhos se encheram de lágrimas.

Que lição de felicidade! Que demonstração de altruísmo! O maior, em verdade, demonstrou, pelo seu gesto, que é sempre mais feliz aquele que dá do que aquele que recebe.

Este é o segredo do amor. Sacrificar-se a criatura com tal naturalidade, de forma tão discreta, que o amado nem possa agradecer pelo que está recebendo. Enquanto os dois irmãos desciam a rua, cantarolando, abraçados, em nossa mente vários ensinos de Jesus foram sendo recordados.

Fazer ao outro o que gostaria que lhe fosse feito.

Amai-vos uns aos outros...

Sawabona Shikoba - (texto interessante)

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor. O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar. A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século.

O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente. Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas.

Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem. O homem é um animal que vai mudando o mundo e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou.

Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo.
O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa a aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguem trabalhar sua individualidade. Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.

A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado.

Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém. Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto.

Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado.

Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes temos de aprender a nos perdoar a nós mesmos...

Caso tenha ficado curioso(a) em saber o significado de SAWABONA, é um cumprimento usado no sul da África quer dizer: “Eu Te respeito, eu te Valorizo, você é importante pra mim”.

Em resposta as pessoas dizem SHIKOBA que é: “Então eu existo pra você”

Flávio Gikovate - Médico Psicanalista

Há tanta beleza!

A beleza da existência
Está na dinâmica da vida
É como o rio que, embora no mesmo lugar
Nunca é o mesmo!
Renova-se a cada segundo
Caminhando ao infinito!

A beleza da existência
Está no vôo das gaivotas e
No pousar suave nas praias
A marca dos passos n´areia
Permanecerão até a próxima onda.

Há tanta beleza no mundo...
Há tanta beleza no vento que leva a folha
Há tanta beleza na chuva que cai
Na flor que se abre pela manhã
No sol que nasce todos os dias
No luar que ilumina a noite escura
No dia que chega e que se vai.

Há tanta beleza na mão estendida
Que acolhe e que doa
Na solidariedade que abraça irmãos...

Há tanta beleza na vida
Que meu coração parece que vai explodir
De tanta gratidão!

Delasnieve Daspet