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sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

O homem básico

Numa das muitas discussões familiares, num tom mais de conversa do que de briga, minha esposa disse-me:

- Gostaria que você fosse um homem básico!

Tentei entender-lhe o sentido da frase, questionando o que seria um homem básico...

Seus argumentos foram os de que eu aos 50 anos enveredo-me por novos caminhos, procurando por novas oportunidades na vida, ora trabalhando, ora estudando, e pouco fico em casa ao seu lado... Assim, penso eu, um homem básico seria aquele que se assenta, aquieta-se, e vai curtindo mais a vida ao lado da esposa...

Sei, sinto, que um relacionamento a dois é complicado, onde tenta-se equilibrar vontades por vezes conflitantes, expectativas de vida diferentes... E onde um consenso é por vários motivos uma bênção, uma dádiva!

Vim de um tempo onde o homem era o provedor da casa, e por desempenhar tal papel não raro se privava de um contato mais próximo aos seus, que não significava falta de amor e carinho, mas comprometimento, responsabilidade... Sei também que os tempos mudaram...

Mas sinto que esta mudança não foi em nada favorável ao homem... Existe uma grave crise de identidade, onde os papéis femininos se realçam e os masculinos parecem que esmaecem... E os dois ora se confundem, ora se descaracterizam!

Por outro lado, na sociedade em que vivemos ninguém pode se acomodar, achando que o que sabe é suficiente... E que suas competências nunca serão questionadas... E aqui encontramos um ponto que deveria ser bem observado; a inter-relação entre o social e o privado se confundem, o trato familiar e expectativas profissionais se conflitam...

Não ser um homem básico em meu pensar, afasta-me da mesmice de vidas contemporâneas, de homens por vezes fadados a comodismos, vendo a vida passar, escorrendo entre seus dedos, sem fazerem alguma diferença... Diferença esta, que nem seja para outros verem, mas mais importante, seja intimamente sentida, que traga felicidade e prazer, por mais que sejam; a felicidade e o prazer, efemérides...

Num outro modo de ver, não ser um homem básico, possibilitou-me a realização de sonhos que nem mesmo em minha mais tenra idade ousara imaginar...

Reinventei-me várias vezes!

Como uma Fênix surgida de suas próprias cinzas...

E isso foi bom!

E isso sempre será bom, até o momento em que os ventos da vida não soprarem as minhas cinzas para o outro lado de lá... E assim, não possam se reagrupar aqui neste hemisfério conhecido da existência!

Mas afora estas considerações que faço, imputo-me ainda características bem básicas, talvez mal percebidas pela minha companheira de vida e de estrada; somos casados, um homem e uma mulher em comunhão, conseguimos ter nossos cinco filhos homens, trabalhando, cuidando com suas próprias forças de suas vidas, alguns com esposas, e filhos... Temos um teto, comida na mesa, e algumas vezes saímos de casa, eu e ela, para um passeio... Tirando alguma conotação de conservadorismo em meu pensar, embora conservar o que é bom não traga nenhum mal, não sou um homem básico?

Para a paixão o estar perto é fundamental...

Mas de que adianta um estar que no íntimo se ausenta, se aliena, não se valoriza, não busca para si uma realização maior, que de alguma forma traga bem estar para outros, e que implique em melhor valorizar quem esta ao seu lado, numa mesma estrada, num, quase, mesmo destino?

Para o amor, significar presença, em vários aspectos, é amar!

Edvaldo Rosa

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Verdade e a Parábola

A Verdade visitava os homens; sem roupas e sem adornos, tão nua quanto o seu nome. E todos os que a viam viravam-lhe as costas de vergonha ou de medo e ninguém lhe dava as boas vindas.

Assim a Verdade percorria os confins da Terra, rejeitada e desprezada.

Numa tarde, muito desolada e triste, encontrou a Parábola que passeava alegremente, num traje belo e muito colorido.

- Verdade, porque estás tão abatida? - perguntou a Parábola.
- Porque devo ser muito feia já que os homens me evitam tanto!

- Que disparate - riu a Parábola - não é por isso que os homens te evitam. Toma, veste algumas das minhas roupas e vê o que acontece.

Então a Verdade pôs algumas das lindas vestes da Parábola e, de repente, por toda a parte onde passava era bem vinda.

Então a Parábola falou:
- A verdade é que os homens não gostam de encarar a Verdade nua; eles a preferem disfarçada !

domingo, 11 de dezembro de 2011

A vaca e o porco

Um dia, o porco foi reclamar com a vaca porque ninguém lhe dava valor. Todos o desprezavam. Afinal, disse ele:
- Eu dôo tudo o que tenho aos homens. Eles consomem a minha carne, usam meus pêlos para fazer pincéis e aproveitam até meus ossos. Mesmo assim sou um animal desconsiderado. O mesmo não acontece com você, que dá apenas o leite e é reverenciada por todos. Concluiu o pobre porco.

A vaca, que ouvia com atenção, respondeu:
- Talvez seja porque eu dôo um pouco de mim todos os dias, enquanto estou viva, e você só tem utilidade depois de morto.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A vida que não vivi...

"Prender-se a um passado ilusório, ou arrastar seu peso vida afora, é não se perdoar pelas escolhas feitas, mesmo que não tenham sido as melhores, é jogar fora o que foi capaz de realizar e realizou, é fugir da responsabilidade pelo que ainda é possível viver"

Quem nunca acordou um dia acreditando que teria sido melhor desse ou daquele jeito, menos do jeito que está? Assim se sentia Janete, desajeitada na vida, colocando tudo em xeque. Pudera! Atravessava fase difícil. Ela e o marido desempregados; os filhos nada bem na escola; os pais, com a saúde abalada, cada dia mais dependentes, e por aí ia.

É nessa hora de corda bamba que as certezas balançam, e no pender de um lado para o outro, do outro para o um, a imaginação se põe a vagar. Podemos construir caminhos de saída, ou pegar atalhos prontos, de volta às encruzilhadas onde nem sempre foi possível parar e, com tranqüilidade, escolher o melhor rumo; talvez por falta de tempo, de maturidade, ou movidos pelas circunstâncias.

Janete pegou o atalho mais próximo e começou a juntar pedaços, daqui e dali, daquilo que não foi: o homem com quem poderia ter se casado, a faculdade que pensou tanto em cursar, o tipo de educação que deveria ter dado aos filhos, o dinheiro que poderia ter conseguido com um pouco mais de esforço, os relacionamentos que teria mantido se houvesse se empenhado, e tantos outros. Perfeito! Deliciou-se por instantes, para assistir, em seguida, à sua obra perder os contornos. As cores esmaeciam-se até trazê-la de volta à tela branca. E agora?

Nada há de condenável em deixar a imaginação dar seus vôos mesmo em direção a um passado que não existiu, desde que isto sirva de breve alento para dores do presente e nos impulsione para a construção do novo. Não podemos permitir é que essas imagens nos imobilizem. Não é fácil se desprender, exatamente por serem tão agradáveis quando comparadas a uma realidade que exige muito esforço para ser vivida. Sabemos, entretanto, que se não o fizermos, não sairemos dali.

Prender-se a um passado ilusório, ou arrastar seu peso vida afora, é não se perdoar pelas escolhas feitas, mesmo que não tenham sido as melhores, é jogar fora o que foi capaz de realizar e realizou, é fugir da responsabilidade pelo que ainda é possível viver.

A vida não permitiria que Janete permanecesse por muito tempo ali, olhando a tela em branco. De novo, a encruzilhada exigindo escolhas.

Angelina Garcia, especialista em Linguagem, com cursos em Processo Criativo e Psicologia Profunda; Análise do Discurso e Neurolingüística

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Sedução, o eterno feminino

Charme, mistério e sedução são características do eterno feminino. Que coisa misteriosa é o charme! Charme e mistério, aliás, são duas coisas muito misturadas. Em outras palavras, o charme contém, necessariamente, doses de mistério. Já o mistério nem sempre contém charme. Às vezes é tédio. A confusão entre tédio e mistério às vezes ocorre. Em certas mulheres, o difícil é saber se o que elas têm é mistério ou é tédio. Você investe a maior expectativa no mistério dela. Chega perto e, de mistério, não há nada. Puro tédio. É fogo!

Como vivemos tempos de tédios, de entediados e entediadas precoces, é muito comum deparar-se com um desses tédios abissais que se fizeram atraentes aos primeiros contatos por parecerem mistério.

Há mil interpretações, sutilezas, explicações e nuances, mas o básico no eterno feminino é uma coisa: a certeza de que a relação sedutora sempre está presente. É uma certeza a priori. Uma condição preliminar. Pode ser amigo, relação profissional, pessoa superpsicoanalisada, intelectual, o que for: a reação da mulher sempre esconde ou demonstra a iminência da sedução. Ela está sempre em estado de risco e sedução. Seduzindo, ou sendo seduzida. Sempre.

Esse “esconde-revela”, a iminência da sedução, pode atingir graus de extrema sofisticação, disfarce e sutileza.

Conheço mulheres avançadas, na assim dita melhor idade, que estão a anos luz distantes de relações sexo-afetivas de qualquer natureza, mas que ainda guardam gestos, atitudes e expressões desse eterno feminino. Em certas mulheres, ele não é adquirido: é constitucional. E quando é da constituição da mulher, não passa nunca.

Há uma percepção da qual o eterno feminino dotou certas mulheres protótipo: é a capacidade de saber-se olhada antes mesmo de olhar para o lado de quem a admira; antes mesmo de ter olhado na direção do admirador. A mulher assume uma atitude corporal e gestual de quem sabe que pode estar sendo olhada. Que deve estar sendo olhada. Que está sendo olhada. É espantoso! Eis aí o eterno feminino!

Artur da Távola
Publicada em 10/11/2007 no ODIAONLINE.

terça-feira, 8 de março de 2011

A verdadeira história da Mulher

Conta uma lenda que no princípio do mundo, quando Deus decidiu criar a mulher, viu que tinha esgotado todos os materiais sólidos no homem e não tinha mais do que dispor. Diante deste dilema e depois de uma profunda meditação, fez o seguinte:

Pegou a forma arredondada da lua, as suaves curvas das ondas, a terna aderência das bromélias, o tremulo movimento das folhas, a forma esbelta da palmeira, a nuance delicada das flores, o amoroso olhar do cervo, a alegria do raio de sol e as gotas do choro das nuvens.

"Cuida-te quando fazes chorar uma mulher, pois Deus conta as suas lágrimas. A mulher foi feita da costela do homem, não dos pés para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo do braço para ser protegida e do lado do coração para ser AMADA.“

Indique essa mensagem para as mulheres excepcionais que você conhece e não se esqueça de enviar para pelo menos três homens, para que saibam...

O VALOR DE UMA MULHER!!!

sábado, 5 de março de 2011

Não julgue...

Havia numa aldeia um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um lindo cavalo branco. Reis ofereciam quantias fabulosas pelo cavalo, mas o homem dizia:

- Este cavalo não é um cavalo para mim, é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo?

O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo.

Numa determinada manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira se reuniu e o povo disse:

- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vendê-lo. Que desgraça!

- Não cheguem a tanto, retrucou o velho. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato, o resto é julgamento. Se se trata de uma desgraça ou de uma benção, não sei, porque este é apenas um julgamento. Quem pode saber o que vai acontecer?

As pessoas riram do velho. Mas, quinze dias depois, de repente, numa noite, o cavalo voltou. Ele não havia sido roubado, ele havia fugido para a floresta. E não apenas isso, ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.

Novamente, as pessoas se reuniram e disseram:

- Velho, você estava certo. Não se tratava de uma desgraça, na verdade se tornou uma benção.

- Vocês estão se adiantando mais uma vez, disse o velho. Apenas digam que o cavalo está de volta. Quem sabe se é uma benção ou não? Este é apenas um fragmento. Se você lê apenas uma única palavra de uma sentença, como pode julgar todo o livro?

Desta vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente acreditavam que ele estava errado. Doze lindos cavalos tinham vindo... O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde, ele caiu de um cavalo e fraturou as pernas.

As pessoas se reuniram e, mais uma vez, julgaram. Elas disseram:

- Você tinha razão, novamente. Foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas e na sua velhice ele seria seu único amparo. Agora você está mais pobre do que nunca.

- Vocês estão obcecados por julgamento, ponderou o velho. Não se adiantem tanto. Digam apenas que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma benção. A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado.

Aconteceu que, depois de algumas semanas, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois recuperava-se das fraturas. A cidade inteira estava chorando, lamentando-se, porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Elas vieram até o velho e disseram:

- Você tinha razão, velho - aquilo se revelou uma benção. Seu filho pode estar aleijado, mas ainda está com você. Nossos filhos foram-se para sempre.

- Vocês continuam julgando, retrucou o velho. Digam apenas que seus filhos foram forçados a entrar para o exército e que meu filho não foi. Ninguém sabe se isso é uma benção ou uma desgraça.

Quem julga fica obcecado com fragmentos, pula para as conclusões a partir de coisas pequenas, deixa de crescer. Julgamento significa um estado mental estagnado.

Observe sua vida fluindo!

Atenha-se somente aos fatos.

Evite os julgamentos.