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domingo, 22 de janeiro de 2012

Direção do sol

Tome a tua vida em tuas mãos, e não entregue a direção dela a ninguém.

Por mais que te amem, por mais que desejem, o teu bem, só você é capaz de sentir o que realmente sente, e aquilo que você passa de impressão para os outros, nem sempre corresponde ao que vai na sua alma.


Quantas vezes você já sorriu para disfarçar uma lágrima teimosa?

Quantas vezes quis gritar e sufocou o pranto?


Quantas vezes quis sair correndo de algum lugar e ficou por educação, respeito ou medo?

Quantas vezes desejou apenas um beijo, e ficou com a boca seca esperando o que não veio?

Quantas vezes tudo o que você desejou era apenas um abraço, um consolo, uma palavra amiga e só recebeu ingratidão?

Quantos passos foram necessários para chegar até onde você chegou?
Quantos sabem dar o valor que você realmente merece?

Criticar é fácil, mas usar o seu sapato ninguém quer, vestir as suas dores ninguém quer, saber dos seus problemas, só se for por curiosidade, por isso, não entregue a sua vida nas mãos de ninguém...


Nada de acreditar que sem essa ou aquela pessoa, você não vai viver...


Vai viver sim, o mundo continua girando,
e se você deixar, pode te trazer algo muito melhor.

Pegue a direção da sua vida e aponte rumo ao Sul, lá onde a placa diz "caminho do sol", bem na curva da felicidade, que te espera sem pressa, para viver com amor e intensidade, a paz, a harmonia e a felicidade...

Paulo Roberto Gaefke

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pra sempre...

"Tem muita gente que se distrai e é feliz pra sempre,
sem conhecer as delícias de ser feliz por uns meses,
depois infeliz por uns dias...

Viver não é seguro...
Viver não é fácil...
E não pode se monótono.

Mesmo fazendo escolhas aparentemente definitivas, ainda assim podemos excursionar por dentro de nós mesmos e descobrir lugares desabitados em que nunca colocamos os pés, nem mesmo em imaginação.

E, estando lá, rever nossas escolhas e recalcular a duração de "pra sempre".

Muitas vezes o "pra sempre" não dura tanto quanto duram nossa teimosia e receio de mudar."

Martha Medeiros

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A diferença pede licença

A sociedade é um imenso mercado, onde muito cedo as pessoas são etiquetadas e colocadas em algum lugar, sem escolha possível. O bonito, o feio, o desajeitado, o inteligente, o atrasado, o grande, o pequeno, o normal, o anormal...

E julga-se, sem piedade, os fracos, os fortes, os vencedores, os perdedores, os sãos, os doentes.

Chama-se de diferente aquele que não está na mesma linha de normalidade que a maioria do ser humano. Mas, o que é ser diferente senão o fato de não ser igual? Não somos assim, todos diferentes?

Por que etiquetas, se todos trazemos em nós riquezas inúmeras, mesmo se muitas vezes imperceptíveis aos olhos humanos?

A diferença pede licença sim!!!

Dá-me oportunidade!

Deixa-me mostrar quem sou, ao meu tempo! Deixa-me desenvolver minhas capacidades e farei florir meu deserto.

Peço é oportunidade para mostrar do que sou capaz. Peço aceitação para estar no meu lugar, não o escolhido pra mim, mas aquele onde sou capaz de chegar.

Se não plantamos sementes, jamais colheremos frutos!

Deixar que cada qual desenvolva a seu tempo e seu ritmo o seu potencial é dar abertura ao mundo. É a diversidade de flores que dá a beleza a um jardim.

Quem é normal e quem é anormal se o sangue corre da mesma forma para todos, se o coração bate da mesma forma, se as lágrimas têm a mesma cor e se o sorriso fala com as mesmas palavras?

A diferença pede aceitação, pede respeito, pede tolerância e pede, sobretudo, muito amor. Anormal não é quem foge dos padrões sociais; anormal é quem não compreende e não aceita que somos todos seres imperfeitos, mas, nem por isso, diminuídos aos olhos de Deus; anormal é quem se acredita grande e pensa que o mundo todo é pequeno; é quem não percebeu o verdadeiro significado da palavra amar.

Quando Jesus morreu de braços abertos foi para abraçar toda a humanidade; quando perdôou o ladrão, lavou pés, sarou cegos e leprosos, foi para nos dar a lição da humildade, para nos mostrar que grande mesmo é aquela pessoa capaz de abrir todas as portas do seu coração e de olhos fechados receber com amor todo aquele que a vida coloca no nosso caminho, independente da sua classe social, raça, religião, condição física ou mental.

A diferença pede licença!...

Abra-lhe o caminho e você vai ver onde ela é capaz de chegar!

Letícia Thompson

sábado, 31 de dezembro de 2011

Paciência

Ah! se vendessem paciência nas farmácias e supermercados...
Muita gente iria gastar boa parte do salário nessa mercadoria tão rara hoje em dia. Por muito pouco a madame que parece uma "lady", solta palavrões e berros que lembram as antigas "trabalhadoras do cais", e o bem comportado executivo, "o cavalheiro", se transforma numa "besta selvagem" no trânsito que ele mesmo ajuda tumultuar.

Os filhos atrapalham, os idosos incomodam, a voz da vizinha é um tormento, o jeito do chefe é demais para sua cabeça, a esposa virou uma chata, o marido uma "mala sem alça", aquela velha amiga uma "alça sem mala", o emprego uma tortura, a escola uma chatice,. O cinema se arrasta, o teatro nem pensar, até o passeio virou novela.

Outro dia, vi um jovem reclamando que o banco dele pela Internet estava demorando para dar o saldo, eu me lembrei da fila dos bancos e balancei a cabeça inconformado. Vi uma moça abrindo um email com um texto maravilhoso do Jabor e ela deletou sem sequer ler o título, dizendo que era longo demais...

Pobre de nós, meninos e meninas sem paciência, sem tempo para a vida, sem tempo para Deus, sem tempo para o amor, talvez 40 minutos para o sexo, sei lá, quem sabe uns 15 minutos..., a paciência está em falta no mercado, e pelo jeito, a paciência sintética dos calmantes está cada vez mais em alta.

Pergunte para alguém que você saiba que é "ansioso demais", onde ele quer chegar? Qual é a finalidade de sua vida? Surpreenda-se com a falta de metas, com o vago de sua resposta. E você? Onde você quer chegar? Está correndo tanto para que? Por quem? Seu coração vai agüentar? Se você morrer hoje de infarto agudo do miocárdio o mundo vai parar? A empresa que você trabalha vai acabar? As pessoas que você ama vão parar? Será que você conseguiu ler até aqui???

Respire...acalme-se...o mundo está apenas na sua primeira volta e com certeza, no final do dia vai completar o seu giro ao redor do sol, com ou sem a sua paciência. Pense nisso!
Lá vem o sol....

Eu acredito em você

Paulo Roberto Gaefke

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A urgência de viver

"O que você fez hoje é muito importante,
porque você está trocando um dia de sua vida por isso."

Esperamos demais para fazer o que precisa ser feito,
num mundo que só nos dá um dia de cada vez,
sem nenhuma garantia do amanhã.

Enquanto lamentamos que a vida é curta,
agimos como se tivéssemos à nossa disposição,
um estoque inesgotável de tempo.

Esperamos demais para dizer as palavras de perdão
que devem ser ditas, para deixar de lado os rancores
que devem ser expulsos, para expressar gratidão,
para dar ânimo, para oferecer consolo.

Esperamos demais para ser generosos,
deixando que a demora diminua a alegria de dar espontaneamente.

Esperamos demais para ser pais de nossos filhos pequenos,
esquecendo quão curto é o tempo em que eles são pequenos,
quão depressa a vida os faz crescer e ir embora.

Esperamos demais para dar carinho aos nossos pais, irmãos e amigos.
Quem sabe, quão logo será tarde demais?

Esperamos demais para ler os livros, ouvir as músicas,
ver os quadros que estão esperando para alargar nossa mente,
enriquecer nosso espírito e expandir nossa alma.

Esperamos demais para enunciar as preces que estão esperando para
atravessar nossos lábios, para executar as tarefas que estão esperando para serem cumpridas, para demonstrar o amor, que talvez não seja mais necessário amanhã.

Esperamos demais nos bastidores, quando a vida tem um papel para desempenhar no palco.

Deus também está esperando nós pararmos de esperar. Esperando que comecemos a fazer agora, tudo aquilo para o qual este dia e esta vida nos foram dados.

É hora de VIVER...

(Henry Sobel)

Lixos existenciais

Se é verdade que a cada dia basta a sua carga, por que então teimamos em carregar para o dia seguinte nossas mágoas e dores? Há ainda os que carregam para a semana seguinte, o mês seguinte e anos afora...

Nos apegamos ao sofrimento, ao ressentimento, como nos apegamos a essas coisinhas que guardamos nas nossas gavetas, sabendo inúteis, mas sem coragem para jogar fora. Vivemos com o lixo da existência, quando tudo seria mais claro e límpido com o coração renovado.

As marcas e cicatrizes ficam para nos lembrar da vida, do que fomos, do que fizemos e do que devemos evitar. Não inventaram ainda uma cirurgia plástica da alma, onde podem tirar todas as nossas vivências e nos deixar como novos. Ainda bem.

Não devemos nos esquecer do nosso passado, de onde viemos, do que fizemos, dos caminhos que atravessamos. Não podemos nos esquecer nossas vitórias, nossas quedas e nossas lutas. Menos ainda das pessoas que encontramos, essas que direcionaram nossa vida, muitas vezes sem saber.

O que não podemos é carregar dia-a-dia, com teimosia, o ódio, o rancor, as mágoas, o sentimento de derrota.

Acredite ou não, mas perdoar a quem nos feriu, dói mais na pessoa do que o ódio que podemos sentir toda uma vida. As mágoas envelhecidas transparecem no nosso rosto e nos nossos atos e moldam nossa existência.

Precisamos, com muita coragem e ousadia, abrir a gaveta do nosso coração e dizer: eu não preciso mais disso, isso aqui não me traz nenhum benefício e eu posso viver sem.

E quando só ficarem as lembranças das festas, do bem que nos fizeram, das rosas secas, mas carregadas de amor, mais espaço haverá para novas experiências, novos encontros. Seremos mais leves, mais fáceis de ser carregados mesmo por aqueles que já nos amam.

Não é a expressão do rosto que mostra o que vai dentro do coração? De coração aberto e limpo nos tornamos mais bonitos e atrativos e as coisas boas começarão a acontecer.

Luz atrai, beleza atrai. Tente a experiência!... Sua vida é única e merece que, a cada dia, você dê uma chance para que ela seja rica e feliz.

Letícia Thompson

Para o resto de nossas vidas

Existem coisas pequenas e grandes, coisas que levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas, depende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou.

Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcarão, que mexerão com a nossa existência em algum instante.

Provavelmente iremos pela a vida a fora colecionando essas coisas, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante.

Cada momento que interferiu nos nossos dias, que deixou marcas, cada instante que foi cravado no nosso peito como uma tatuagem.

Marcas, isso... Serão marcas, umas mais profundas, outras superficiais porém com algum significado também.

Guardaremos dentro de nós e que se contarmos para terceiros talvez não tenha a menor importância, pois só nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los.

Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um e-mail, uma viagem, uma frase que alguém tenha nos dito num momento certo.

Poderá ser um raiar de sol, um buquê de flores que se recebeu, um cartão de natal, uma palavra amiga num momento preciso.

Talvez venha a ser um sentimento que foi abandonado, uma decepção, a perda de alguém querido, um certo encontro casual, um desencontro proposital.

Quem sabe uma amizade incomparável, um sonho que foi alcançado após muita luta, um que deixou de existir por puro fracasso.

Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo.

Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós.

Umas porque dedicaram um carinho enorme, outras porque foram o objeto do nosso amor, ainda outras por terem nos magoado profundamente.

Quem sabe haverão algumas que deixarão marcas profundas por terem sido tão rápidas em nossas vidas e terem conseguido ainda assim plantar dentro de nós tanta coisa boa.

Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos, a quantidade de marcas que conseguimos carregar conosco e a riqueza que cada uma delas guardou dentro de si.

Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades.

Pensem sempre que hoje é só o começo de tudo, que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas de certa forma ainda está em nossas mãos.

Texto: Martha Medeiros

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

A intolerância

As flores toleram as abelhas, mesmo se estas lhes tiram o néctar, mesmo se, por vezes, por acidente, uma pétala se machuca.

A natureza tolera os ventos que arrastam folhas e quebram os galhos, tolera as torrentes e correntes que não perguntam o que carregam na sua passagem.

A própria lua tolera as mudanças e acolhe serenamente cada fase com dignidade.

Só nós, humanos e racionais, somos assim intolerantes com a vida, com o próximo, com o que nos acontece, com o que deixa de nos acontecer, com as diferenças e os diferentes que mal suportamos.

Damos de nós e queremos ficar inteiros; recebemos e queremos continuar os mesmos, abastados do nosso eu, sem as máculas dos pecados que nos deixariam iguais a todo mundo.

Queremos amar o que nos é próximo, pois que nos disseram "ama a teu próximo" sendo que esse outro deve ser uma correspondência daquilo que somos. O que é diferente nos decepciona e nos faz sofrer.

Por isso cobramos tanto dos outros e permitimos que essa negra nuvem encha nossa alma de tristeza ao depararmos com ações e reações diferentes das que esperamos.

Mas não é amar tolerar que o outro seja outro e aceitar com resignação e alegria até que, mesmo nos possíveis deslizes, esse encha nossa vida de novos ares e novas flores?!

A tolerância é uma incontestável prova de amor e de humildade; é o eu que se inclina para se reerguer mais rico, mais pleno, mais aberto, mais solto e mais livre.

Mais livre!!! E por isso mesmo mais feliz!

Ser flexível na vida não é se curvar. É simplesmente abrir-se como abrem-se nossas janelas para que o sol entre e ilumine nosso recinto. É um ceder que nos enobrece, pois nos permite degustar da vida nos seus mínimos detalhes.

Letícia Thompson

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Aprendizado para vencer...

Frutos do Sucesso

- O que estás fazendo? perguntou um Mestre ao discípulo visivelmente cansado.

- Estou terminando o engarrafamento do fertilizante que criei para fazer crescerem fortes e viçosas as Árvores do Sucesso. Quem comer os seus frutos será, com certeza, alguém bem sucedido.

- Bom saber que estiveste empenhado em serviço para o bem do próximo, disse o Mestre.

Sorrindo com satisfação, saiu o discípulo em direção a verdes campos para cumprir a tarefa que se havia atribuído.

Passado um bom tempo, novamente ambos se encontraram e, desta vez, estava o discípulo com sinais de grande desapontamento.

- Por que estás tão cabisbaixo, filho?

- Ora, Mestre... foram tantos os que comeram os frutos das Árvores do Sucesso e até hoje não tive notícia de que alguém o alcançou.

- Como fizeste todo o serviço? perguntou o Mestre.

- Bem... juntei Sementes de Desejo de Vencer a Sementes de Disposição para o Trabalho, de Amor à Prosperidade, de Fé em Deus e de Tempo Suficiente para Orar.

Em seguida coloquei todas num forte chá, feito com verdes Folhas de Esperança e saí regando as terras das Árvores do Sucesso. Todas cresceram fortes e com belos frutos, mas aqueles que os comeram não tiveram o resultado que era de se esperar: o sucesso não aconteceu.

O Mestre ouviu atentamente a narrativa e finalmente disse:
- Não te desanimes, filho.

Começa tudo de novo já que agora está mais fácil: é só regar as terras novamente.

- Mas lembra-te de juntar ao fertilizante a ÚNICA semente que faltou.

- Qual foi ela, Mestre?, perguntou o discípulo, muito intrigado.

Respondeu o Mestre:
- Filho, tu esqueceste a Semente da Confiança dos Homens em Si Mesmos.

Silvia Schmidt

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Você é...

Você é...
os brinquedos que brincou, as gírias que usava, você é os nervos a flor da pele no vestibular, os segredos que guardou, você é sua praia preferida, Garopaba, Maresias, Ipanema, você é o renascido depois do acidente que escapou, aquele amor atordoado que viveu, a conversa séria que teve um dia com seu pai, você é o que você lembra.

Você é...
a saudade que sente da sua mãe, o sonho desfeito quase no altar, a infância que você recorda, a dor de não ter dado certo, de não ter falado na hora, você é aquilo que foi amputado no passado, a emoção de um trecho de livro, a cena de rua que lhe arrancou lágrimas, você é o que você chora.

Você é...
o abraço inesperado, a força dada para o amigo que precisa, você é o pelo do braço que eriça, a sensibilidade que grita, o carinho que permuta, você é as palavras ditas para ajudar, os gritos destrancados da garganta, os pedaços que junta, você é o orgasmo, a gargalhada, o beijo, você é o que você desnuda.

Você é...
a raiva de não ter alcançado, a impotência de não conseguir mudar, você é o desprezo pelo o que os outros mentem, o desapontamento com o governo, o ódio que tudo isso dá, você é aquele que rema, que cansado não desiste, você é a indignação com o lixo jogado do carro, a ardência da revolta, você é o que você queima.

Você é...
aquilo que reinvidica, o que consegue gerar através da sua verdade e da sua luta, você é os direitos que tem, os deveres que se obriga, você é a estrada por onde corre atrás, serpenteia, atalha, busca, você é o que você pleiteia.

Você não é só o que come e o que veste.

Você é o que você requer, recruta, rabisca, traga, goza e lê.

Você é o que ninguém vê.

(Martha Medeiros)

Aprendiz da vida

Queria poder dizer que estou numa idade onde aprendi a vida. Mas não cheguei ainda a esse ponto. Aprendi algumas coisas sim, outras trazem uma luta enorme entre eu e meu eu e não sei quantas quedas e quantos levantares serão necessários para que eu aprenda. Mas não desisto.

Parece que estou na idade da razão, mas percebo que não existe idade para isso. Nem sempre tenho razão, nem sempre sei o que fazer, sou e serei até o último minuto uma aprendiz da vida.

Dizem que perdoar é esquecer e eu não sei ainda onde encontrar essa borracha que apaga vivências doloridas ou curativos que cubram feridas que nunca se fecham. No meu ver, perdoar é compreender, aceitar e seguir adiante, é poder olhar nos olhos da outra pessoa novamente e, se preciso, dar a mão sem o sentimento de sacrifício.

Raras são as pessoas que alcançam o dom do perdão, mas não é impossível.

Quando pensamos que sabemos tudo porque vivemos um certo número de anos, temos que admitir que vivemos em outras épocas, com outros valores e que nossas certezas de antes nem sempre cabem nos dias de hoje. Nossos filhos nos lembram disso a cada instante. São eles nossos maiores mestres, au contrário do que se pensa.

Em tudo o que fazemos e dizemos, nosso exemplo vale mais do que todas as palavras.

As crianças ouvem muito mais o que parecemos que o que dizemos. É assim também com os que precisam do nosso apoio.

Cada um de nós absorve de maneira diferente acontecimentos comuns a todos e somos incomparáveis. Por que eu vivi algo de um jeito não obriga ninguém a viver da mesma forma. Aprender a respeitar a dor alheia é respeitar a individualidade do ser humano.

O medo do sofrimento do amor nos afasta das pessoas que mais nos amam.

Muito do que chamamos de imprevisto e coincidência é a Mão de Deus interferindo nas nossas vidas. Devemos pensar então duas vezes antes de reagir mal a algo que contraria nossos planos.

O passar do tempo nos traz a experiência, mas a sabedoria vem de maneira diferente.

Ela chega com a vivência, entendimento, compreensão e aceitação das adversidades.

Meu maior medo é o de acreditar sobre o que dizem a meu respeito, isso me destruiria. Devo sempre saber quem sou e nunca me esquecer dAquele que me criou.

Aprender a vida é reconhecer-se aluno eterno, com as somas, diminuições e ciências do dia-a-dia. É chegar ao fim do dia e fazer planos para o dia seguinte e se preciso for, recalcular, rever, repensar e recomeçar.

Letícia Thompson

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Pra dar colo é preciso pegar no colo?

Pra dar colo é preciso pegar no colo? Nem sempre. Há pessoas que dão colo com as palavras, com o que elas carregam e transmitem. Elas reconfortam sem presença física, estando, apesar disso, presentes.

É possível se dar a alguém, ser importante, fazer importante, às vezes mesmo com um gesto aparentemente banal. Estamos atravessando uma era em que as pessoas se encontram muito mais profundamente que antes. Elas se acarinham, se amam, se sustentam, amenizam a solidão e ajudam a curar feridas e secar lágrimas.

Distância? Não existe! Não é bem assim, ela existe, mas não percebemos. Eu estou aqui e estou aí ao mesmo tempo, da mesma maneira como meus amigos estão em toda parte e dentro de mim. A gente só alcança o que está perto, não?

Jesus atravessou séculos e ainda hoje nos pega no colo, ainda hoje falamos com Ele, choramos o calvário e a crucificação. Ainda hoje nos sentimos amados e podemos seguir Seu exemplo.

Quando você quiser abraçar alguém, dar colo, reconfortar e que seus braços não alcançarem essa pessoa... dê um telefonema, escreva uma carta, envie um e-mail!
Seu carinho vai chegar da mesma forma, com o mesmo calor. Nunca duvide disso!

Letícia Thompson

Do coração de uma mulher

Se tivesse que abrir meu coração, eu contaria todos os segredos nele contidos, os que me confesso e os que até a mim mesma tento negar...

Eu falaria da minha esperança, das lutas, da briga por uma felicidade que eu nem sei se existe, mas que insisto em querer buscar, da minha recusa em aceitar estar presa a não ser que essa prisão seja minha própria escolha...

Eu diria, provavelmente, que essa fragilidade é apenas aparente ou que até nas horas mais fortes meu coração pede abrigo e compreensão...

Eu contaria, talvez, do orgulho que me impediu de viver horas bonitas, mas que quando olhei para trás já era tarde demais, dos meus arrependimentos, dos perdões que tive que conceder a mim mesma para continuar a levar uma vida tão normal quanto possível. E também do meu desejo de ter filhos, criar e procurar neles meus próprios traços e da minha alegria em encontrá-los.

Eu mencionaria minha mãe, que entendi depois, quando me tornei mãe também e confessaria com orgulho o quanto a admiro e o quanto a amo.

Eu até lembraria minha infância, minhas dúvidas da adolescência, meu desejo de crescer e de continuar menina, das vezes que me senti tola e briguei comigo mesma, me fiz inúmeras promessas e que esqueci quando o coração bateu forte novamente.

Eu não conteria minhas lágrimas se tivesse que abrir meu coração, eu assumiria, beberia todas elas como bebi na taça das dores que sofri, dos amores que vi partir e dos que eu mesma abri mão.

Eu sei que há coisas que nunca aprendi e que provavelmente nunca aprenderei, sei que da vida bebi e ainda beberei, mas que sairei um dia inteira, cheia de marcas e cicatrizes, mas mais que nunca me sentirei mais mulher.

Uma mulher nunca diz tudo, há segredos que ela guarda só.

Letícia Thompson

A vida - Letícia Thompson

Como a vida é delicada, frágil!... os segundos que se substituem não se repetem e o instante que vem pode transformar toda uma história em pedaços de lágrimas, onde o chão parece desaparecer sob os pés e o coração fica tão dolorido que parece que nunca vai encontrar remédio para curar-se.

Ninguém gosta de falar sobre perdas, alguns evitam até pensar, mas todos temos que, um dia ou outro, enfrentar.

Quando pensamos na vida, não queremos pensar nas possibilidades das perdas, que nos fazem sofrer antecipada e inutilmente.

Mas se a vida é um caminho onde subimos e descemos, é também um campo onde plantamos, colhemos e onde certas flores são carregadas tão repentinamente que nos pegam desprevenidos. E quando isso acontece, que fazer mais que abraçar a dor e esperar que os dias seguintes nos façam acordar desse pedadelo?

Viver o luto é aceitar a dor e a partida e aprender a continuar a viver. Talvez seja justamente isso o mais difícil: viver depois, reencontrar a alegria, o gosto, reaprender a olhar o belo e desejá-lo.

Algumas pessoas desenvolvem um sentimento de culpabilidade em aceitar novamente o presente da vida, o sorriso e o recomeçar. Elas sentem como se estivessem traindo quem se foi, porque devem continuar.

Ora, o amor não diminui ou não fica diferente porque aprendemos a viver sem os que se foram. O espaço conquistado no nosso coração pelos que nos amaram e os que amamos ficará definitivamente marcado. Porém, isso não pode e não deve impedir ninguém de viver.

É preciso aprender a viver com e "apesar de". É preciso aprender a viver com a dor, com a falta, com a saudade e apesar do adeus. E é preciso se reconstruir.

Completar o luto é aceitar que a última página de uma história tenha sido definitivamente virada, que aquele livro se encerrou, mas que a vida para quem fica continua.

A vida é uma dádiva do céu, que continua azul e infinito e onde as estrelas continuam a brilhar, mesmo na mais negra escuridão.

Letícia Thompson

domingo, 16 de outubro de 2011

Amor - Paulo Sternick

Numa união, a comunicação dos parceiros é profunda e complexa. Ocorre por meio das trocas objetivas, das permutas afetivas e sexuais concretas ou através daquilo que um passa para o outro em mensagens cifradas, que nem sempre são entendidas. Essas últimas têm consequências em cada parceiro e na própria relação. É importante saber disso, pois até podem levar a doenças.

O poeta inglês John Keats (1795-1821) tratou em seus textos do que chamou capacidade negativa, idéia curiosa com a qual não estamos habituados. Capacidade, afinal, não é uma competência positiva? Mas, se pensarmos bem, há a habilidade de jogar mal futebol, de fazer uma besteira - até se diz, em certas ocasiões, "como você foi capaz de fazer uma coisa dessas!" Keats quis chamar a atenção, porém, para algo ainda mais instigante: a capacidade de não sermos presunçosos, oniscientes e onipotentes. Ou seja, não raro precisamos de um dom mais ligado ao reconhecimento dos limites, admitir que não sabemos ou não podemos compreender, controlar e prever muitas coisas que ocorrem. Uma capacidade negativa.

A experiência do amor é uma delas. Mas nem sempre os parceiros têm noção de que se movem praticamente em dois ambientes, quase como se vivessem em universos paralelos.

Nós, psicanalistas, investigamos as camadas desconhecidas e estranhas da mente, das quais conteúdos subjetivos podem ser postos para fora por meio de mecanismos psicológicos que denominamos "projeções". Do mesmo jeito, somos capazes de por para dentro, subjetivamente e sem perceber, estes conteúdos alheios, que passam a exercer influência em nós.

A experiência comum prova o que digo: lembra-se quando saem de um encontro se sentindo bem, autoconfiantes, com a autoestima elevada, ou, ao contrário, com moral baixa e desestimulados, sem saber por quê? Ele ou ela podem ser alvos da admiração e da afeição dos respectivos pares, recebendo na maioria das vezes "projeções" positivas e amorosas - o que os faz se sentir bem. Mas também podem ser alvo de um olhar superior e indiferente, ou depressivo, ou invejoso, cheio de mágoas e ressentimentos não necessariamente causados pela própria relação.

Já imaginaram ser objeto da depressão do outro - sentindo-se pra baixo com frequência sem saber o motivo?

Ou ser objeto do desprezo inconsciente do par possuidor de caráter competitivo, ele próprio bem-sucedido, e que precisa vencer, colocar o outro em plano inferior?

Claro, nada de se autovitimar. Que cada um se defenda, ninguém deve ser responsabilizado pelos problemas que só competem aos adultos assumirem, certo?

Errado! Acho que todos os que se relacionam são responsáveis pela qualidade da convivência, pela ética para com o parceiro, pelo bem-estar e pela incolumidade de quem convive consigo.

Mas, infelizmente, grande parte dessas trocas subjetivas são inconscientes e se passam sem controle. O paradoxo é que o fato de ser inconsciente não exime ninguém de ser responsável por si como um todo.

O que também é um convite aos parceiros para ficarem de olhos bem abertos sobre como podem ser influenciados por aspectos que saem, não raro inadvertidamente, dele ou dela. Se forem conteúdos amorosos, claro, serão muito bem recebidos!

Paulo Sternick é psicanalista no RJ.

sábado, 15 de outubro de 2011

Digite sua senha

Ah, como eu gostaria de ser apenas um número. Sim, porque atualmente eu sou - perdão - inúmeros. Toda vez que alguma máquina, voz gravada ou pessoa de carne e osso me ordena "Digite sua senha", eu entro em pânico. Qual delas? A senha do cartão ou a senha eletrônica? A que eu inventei ou a que me mandaram pelo correio? A de quatro dígitos com código de segurança de mais três dígitos, ou a de oito dígitos com código de segurança de quatro dígitos e meio? Aquela em que eu embaralhei o telefone da sogra ou a outra em que eu juntei a placa do carro com o apartamento do vizinho e dividi por 2?

Alguns bancos são tão indelicados que, depois de pedir duas senhas e o código de segurança, ainda fazem perguntas de foro íntimo, como a sua data de nascimento. Isso é coisa que se pergunte a uma cliente? Tenho amigas que não confessam a idade nem mesmo a um caixa eletrônico.

Não admira que pessoas crescidas não saibam mais a tabuada: toda a nossa memória para números está ocupada por dezenas de senhas e códigos de segurança.

Eventualmente, de tanto preencher cadastro e conversar com atendentes de telemarketing, você acaba decorando até mesmo o seu CPF - o que pode ter consequências trágicas. Só mais tarde é que você vai descobrir que o seu cérebro gravou o CPF por cima de números muito mais importantes, apagando da memória o seu aniversário de casamento e a série em que o seu filho caçula está na escola.

Telefones, pelo menos, ninguém mais precisa decorar: estão todos na agenda do celular. Só que daí você compra um aparelho mais moderno e o que acontece? Continua carregando o antigo, agora na função de agenda telefônica. A propósito, de que adianta tanta modernidade, se ficou muito mais complicado fazer um DDD? Antigamente era automático. Hoje você precisa parar tudo, respirar fundo e fazer um grande esforço de concentração para colocar o código da operadora exatamente no lugarzinho certo, sem se atrapalhar com o resto do número. Mas é bom não reclamar, senão daqui a pouco eles vêm e inventam uma gravação: "Bem-vindo à operadora X. Digite sua senha".

Por mais que a gente tente dar uma de espertinho, é impossível usar a mesma senha em todos os lugares. Os computadores exigem que se cadastrem senhas diferentes para isso ou aquilo. Umas precisam ter quatro, outras seis, outras oito dígitos. Daqui a pouco vai ter senha com raiz quadrada, senha com logaritmo e senha com dízima periódica. O número de senhas que uma pessoa comum precisa decorar é tão absurdo que já existem programas para computadores de bolso que armazenam todas as suas senhas, devidamente criptografadas. Mas é claro que, para ter acesso a elas, você precisa de... mais uma senha.

Não adianta: as senhas vieram para ficar. O jeito é ir se preparando para o pior. Qual é o código de segurança do seu mês de nascimento? Não vá se esquecer do código da operadora da sua identidade! Por favor, digite a data de aniversário da sua senha.

Ricardo Freire - Revista Época - 11/08/2003

... Está dentro do etc.

"... e os olhos se evitavam.
Ainda se queriam." (Arlete Sendra)

Quando uma relação se desfaz, é preciso saber esquecê-la e para esquecê-la é preciso não esquecer que é preciso esquecer. E como para esquecer que é preciso esquecer é preciso lembrar que é preciso esquecer, não se esquece.

Esquecer requer a não-lembrança de tudo o que "... está dentro do etc.". E como dentro do etc cabe tudo e cabem outras coisas, tem-se sempre a outra coisa de que se lembrar!

Você se esqueceu daquele perfume! Mas aquela música traz de volta aquele perfume que traz de volta o toque das mãos, que traz de volta o olhar de cumplicidade tantas vezes trocado.

Você se esqueceu da música, do perfume, do toque das mãos, do olhar de cumplicidade! E aquela palavra? O riso? O sorriso? A alegria contida da chegada! Verdadeira sinfonia ao amanhecer! Prelúdio do entardecer! Essas coisas "estão dentro do etc.".

"... estão dentro do etc." a vida que flui, o dia que foi, o dia que virá. Os sonhos vividos e os sonhos que não foram autorizados a viver.

"... está dentro do etc." a nostalgia, esta dor do rosto, do retorno que é a falta do outro ainda não esquecido, a falta que sendo falta é, paradoxalmente, presença.

"... estão dentro do etc." o rosto que não se esquece, a solidão conscientemente escolhida.

"...está dentro do etc." a ambiguidade de nossas emoções que respondem pelos nossos afetos e desafetos.

"... está dentro do etc." ser você quando sou, ser eu quando é você.

"...estão dentro do etc." os olhos da memória, as emoções criadoras e certas melodias verbais.

"... está dentro do etc." mudar todas as coisas que no futuro do passado - quando o passado era presente - foram sonhadas.

"... está dentro do etc." a certa incerteza do amanhã.

"... estão dentro do etc." a vida com seus detalhes e sua imprevisibilidade.

"... está dentro do etc." sermos outros ainda que não deixemos de ser nós mesmos.

"... estão dentro do etc." a construção da própria liberdade e a decisão de outros et ceteras!

(*) Dra Arlete Sendra é graduada em letras clássicas, mestre em Literatura Brasileira, Doutora em Literatura de Língua Portuguesa e Pós-doutorada em semiótica. Docente e pesquisadora da UENF e membro da Academia Campista de Letras.

domingo, 18 de setembro de 2011

Deixe o menino sonhar

Meus sonhos são o resultado das necessidades: do adulto responsável que tento ser, com a inocência da criança que habita em mim. Por isso, às vezes, desejo coisas tão simplórias, como um dia no parque, livre dos compromissos, e em outras, dinheiro para pagar todas as contas.

Vivo nesse conflito: o adulto que precisa trabalhar, e a criança que quer se libertar. Então surge desencontro; entre o que eu desejo e o que eu preciso.

“Nem sempre o que eu desejo, é o que eu preciso, e o que eu preciso no dia de hoje, nem sempre é o que eu desejo.”

Desejo, necessidade, vontade, quantos contrastes.

Acho que o mundo precisa de mais coisas simples.

Como um “MP10″ por exemplo, que toca música, fotografa, copia, imprime, faz salada e ainda manda via Internet.

Precisamos de um amor assim: tudo em um, apaixonado, fiel, servil, sempre pronto para o amor, que não cobre nada, que não reclame.

Que tal um emprego “MP10″? ótimo salário, poucas horas de trabalho, sem gente chata,
sem cobranças de relatórios ou de produção?

Pronto, mais uma vez, a criança que habita em mim quer sonhar, deixar o mundo mais leve, menos cinza, mais colorido.

Pois até nisso nos limitamos!

Temos medo de sonhar, de parecer louco, de desejar o que achamos impossível.

E o que é verdadeiramente impossível?

Talvez, seja impossível comprar o Taj-Mahal, mas, nada nos impede de construirmos um novo, só para o nosso amor.

E o menino que habita em mim sorri, diz que sim! que tudo é possível.

E olhando nos teus olhos, ele brinca, e com a seriedade do adulto, afirma:

Você pode conquistar o mundo!

Desde que ele seja parte dos teus sonhos, e que você acredite que é possível.

Os limites estão apenas dentro de você.

Deixe o menino sonhar…

Eu acredito em você.

Paulo Roberto Gaefke

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Para viver um grande amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.

Para viver um grande amor, primeiro é presiso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como fôr. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.

Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.

Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.

Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e a sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.

É muito necessário ter em vista um crédito de rosas na florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor a êsmo;depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...

Conta ponto fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, môlhos,strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?.

Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.

É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.

Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes

Homens maduros

Há uma indisfarçável e sedutora beleza na personalidade de muitos Homens que hoje estão na idade madura. É claro que toda regra tem suas exceções, e cada idade tem o seu próprio valor. Porém, com toda a consideração e respeito às demais idades, destacaremos aqui uma classe de Homens que são companhias agradabilíssimas: Os que hoje são quarentões, cinquentões e sessentões.

Percebe-se com uma certa facilidade, a sensibilidade de seus corações, a devoção que eles tem pelo que há de mais belo: O sentimentalismo.

Eles são mais inteligentes, vividos, charmosos, eloqüentes. Sabem o que falam, e sabem falar na hora certa. São cativantes, sabem se fazer presentes, sem incomodar.
Sabem conquistar uma boa amizade.

Em termos de relacionamentos, trocam a quantidade pela qualidade, visão aguçada sobre os valores da vida, sabem tratar uma mulher com respeito e carinho.

São Homens especiais, românticos, interessantes e atraentes pelo que possuem na sua forma de ser, de pensar, e de viver.

Na forma de encarar a vida, são mais poéticos, mais sentimentais, mais emocionais
e mais emocionantes.

Homens mais amadurecidos têm maior desenvoltura no trato com as mulheres, sabem reconhecer suas qualidades, são mais espirituosos, discretos, compreensivos e mais educados.

A razão pela qual muitos Homens maduros possuem estas qualidades maravilhosas deve-se a vários fatores: A opção de ser e de viver de cada um, suas personalidades,
formação própria e familiar, suas raízes, sabedoria, gostos individuais, etc...

Mas eu creio que em parte, há uma boa parcela de influência nos modos de viver de uma época, filmes e músicas ouvidas e curtidas deixaram boas recordações de sua juventude. Um tempo não tão remoto, mas que com certeza, não volta mais.

Viveram sua mocidade (época que marca a vida de todos nós) em um dos melhores períodos do nosso tempo: Os anos 60/70. Considerados as "décadas de ouro" da juventude, quando o romantismo foi vivido e cantado em verso e prosa.

A saudável influência de uma época, provocada por tantos acontecimentos importantes,
que hoje permanecem na memória e que mudaram a vida de muitos.

Uma época em que o melhor da festa era dançar coladinho, e namorar ao ritmo suave das baladas românticas. O luar era inspirador, os domingos de sol eram só alegrias.
Ouviam Beatles, Johnny Mathis, Roberto Carlos, Antônio Marcos, The Fevers, Golden Boys, Bossa Nova, Morris Albert, Jovem guarda e muitos outros que embalaram suas
"Jovens tardes de domingo, quantas alegrias! Velhos tempos, belos dias."

Foram e ainda são os Homens que mais souberam namorar: Namoro no portão, aperto de mão, abraços apertadinhos, com respeito e com carinho.
Olhos nos olhos tinha mais valor...
A moda era amar ou sofrer de amor.

Muitos viveram de amor...
Outros morreram de amor...

Estes Homens maduros de hoje, nunca foram Homens de "ficar". Ou eles estavam namorando firme, ou estavam na "fossa", ou estavam sozinhos.
Se eles "ficassem", ficariam para sempre... ao trocar alianças com suas amadas.

Junto com Benito de Paula, eles cantaram a "Mulher Brasileira, em primeiro lugar!"
A paixão pelo nosso país, era evidente quando cantavam:
"As praias do Brasil ensolaradas, no céu do meu Brasil, mais esplendor... A mão de Deus, abençoou, Mulher que nasce aqui, tem muito mais Amor...
Eu te amo, meu Brasil, Eu te amo...
Ninguém segura a juventude do Brasil...
sil... sil... sil..."

A juventude passou, mas deixou "gravado" neles, a forma mais sublime e romântica de viver. Hoje eles possuem uma "bagagem" de conhecimentos, experiências, maturidade e inteligência que foram acumulando com o passar dos anos.

O tempo se encarregou de distingui-los dos demais:
Deixando os seus cabelos cor-de-prata, os movimentos mais suaves, a voz pausada, porém mais sonora.

Hoje eles são Homens que marcaram uma época.

Muitos deles hoje "dominam" com habilidade e destreza estas máquinas virtuais,
comprovando que nem o avanço da tecnologia lhes esfriou os sentimentos pois ainda se encantam com versos, rimas, músicas e palavras de amor. Nem diminuiu-lhes a grande capacidade de amar, sentir e expressar os seus sentimentos. Muitos tornaram-se poetas, outros amam a poesia.

Por que o mais importante não é a idade denunciada nos detalhes de suas fisionomias, e sim os raros valores de suas personalidades.

O importante é perceber que os seus corações permanecem jovens...

São homens maduros, e que nós, mulheres de hoje, temos o privilégio de poder admirá-los.

Autora: Lisiê Silva